A Prefeitura de Ouro Branco decidiu suspender a implantação do modelo de gestão compartilhada do Hospital Raymundo Campos, que entraria em vigor nesta quarta-feira (1º). A decisão foi anunciada por meio de nota oficial do prefeito Sávio Fontes, lida pelo vereador Nélison José Alves, durante a sessão da Câmara Municipal realizada na noite de terça-feira (30).
O recuo ocorre após a forte repercussão da proposta e a sequência de questionamentos apresentados por vereadores, servidores da saúde, entidades e moradores, que cobraram mais transparência e participação antes da adoção do novo modelo.
Segundo o documento, a administração municipal afirma que o Hospital Raymundo Campos continuará sendo patrimônio público do município, afastando qualquer possibilidade de venda, privatização ou transferência da unidade para a iniciativa privada. O prefeito também informa que a implantação da parceria com o ICISMEP foi adiada para permitir novos debates e esclarecimentos com a população.
A Prefeitura sustenta que mudanças estruturais na saúde devem ser conduzidas de forma participativa e garante que vereadores, servidores, conselhos e representantes da sociedade serão novamente chamados para discutir a proposta. O Executivo mantém o discurso de que a gestão compartilhada busca ampliar a eficiência do atendimento sem alterar o caráter público do hospital.
O adiamento representa uma mudança de postura da administração municipal. Nas últimas semanas, o governo defendia a implantação do novo modelo, argumentando que ele permitiria maior agilidade na contratação de serviços, compras compartilhadas e melhoria da gestão. No entanto, a audiência pública realizada pela Câmara evidenciou um ambiente de forte resistência política e social.
Embora a Prefeitura trate a suspensão como uma oportunidade para ampliar o diálogo, a decisão também revela que o governo não conseguiu formar consenso em torno de uma das principais mudanças previstas para a saúde municipal.
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