A audiência pública realizada na noite de terça-feira (24), em Conselheiro Lafaiete, expôs um cenário de insatisfação popular e incertezas com o projeto de revitalização da rua Marechal Floriano, apresentado pelo Executivo Municipal.
O encontro, que reuniu moradores, comerciantes e autoridades, foi marcado por debates intensos, críticas diretas e uma cobrança clara por soluções estruturais, e não apenas estéticas. O clima esquentou à medida que moradores questionavam o foco do projeto, considerado limitado ao paisagismo e à requalificação visual.
A proposta apresentada pela Prefeitura inclui melhorias nos passeios, intervenções em muros, plantio de árvores e reorganização urbana. No entanto, para quem vive a realidade da região, o problema vai além do que os olhos alcançam. A principal cobrança recai sobre a drenagem deficiente, os constantes alagamentos e a precariedade do sistema de esgoto.
Demandas reais
Entre as demandas mais citadas estão a solução para a passagem subterrânea do Viaduto Duartina Nogueira de Resende (túnel) que frequentemente alaga, o reforço na segurança, sobretudo à noite, e a correção de falhas estruturais como o afundamento em trechos da via. Moradores também pedem intervenções nas aduelas e ações concretas no rio Bananeiras, apontado como um dos focos dos transtornos.

O descontentamento se ampliou com relatos de falta de organização durante a audiência. A saída antecipada dos vereadores que compareceram gerou críticas e foi interpretada como desrespeito. No entanto, os vereadores explicaram que a reunião foi marcada pelo Executivo, em horário incompatível com a permanências dos parlamentares, já que a sessão ordinária da Câmara Municipal acontece sempre às 19h30, na terça-feira, regimentalmente, com presença obrigatória ou justificativa antecipada.
Presentes, vereadores também se sentiram incomodados com a situação, já que queriam permanecer na reunir e ouvir os moradores. Foi sugerido então pelos parlamentares que uma audiência pública seja realizada, na Câmara Municipal, com foco nos problemas da rua Marechal Floriano, e não apenas para apresentação do projeto de revitalização.
Maquiagem
Nas redes sociais e grupos de Whatsapp, a repercussão seguiu intensa. Muitos classificaram o projeto como uma tentativa de “maquiagem urbana”. Para parte da população, a revitalização atende mais a interesses pontuais, como a inauguração de estruturas públicas, do que às necessidades reais da comunidade.
A percepção entre os moradores é de que a região sofre com abandono histórico. Além da infraestrutura precária, há críticas à ocupação desordenada e à falta de integração com áreas importantes, como a estação ferroviária, hoje isolada e subutilizada.
Proposta ajustada
Apesar das críticas, a Prefeitura de Lafaiete afirma que um projeto executivo de drenagem está em desenvolvimento e que a proposta pode ser ajustada com base nas contribuições populares. A gestão também defende que a revitalização busca devolver vitalidade à região e estimular o comércio local.
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