A retomada das obras do Hospital Regional de Conselheiro Lafaiete recolocou a saúde pública no centro do debate regional. Em visita técnica realizada nesta quinta-feira (05), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o vice-governador Mateus Simões (PSD) vistoriaram o canteiro de obras da unidade, acompanhado por prefeitos e lideranças de mais de 30 municípios.
O ato ocorreu em um momento politicamente importante. Zema está em processo de desincompatibilização e deve deixar o cargo em março para disputar a Presidência da República. Simões, que assumirá o governo estadual, aproveitou a agenda para reforçar a articulação com gestores da microrregião de Conselheiro Lafaiete, formada por 12 municípios.

Canteiro de obras
Durante o encontro, o prefeito Leandro Chagas destacou o peso simbólico e prático da obra. “Políticos passam, mas o que fica é o legado. O hospital representa a mudança de uma trajetória e mais acesso à saúde para a população de toda a região”, afirmou. Segundo ele, a presença maciça de prefeitos demonstra união institucional em torno de uma demanda histórica.
Projetado para atender 51 municípios da macrorregião de saúde Centro-Sul, o hospital começou a ser construído em 2010 e ficou paralisado por mais de uma década, tornando-se alvo de críticas recorrentes. Para concluir a obra, o Governo de Minas anunciou investimento de R$ 33 milhões. O contrato prevê a revisão dos projetos de engenharia e a execução de serviços complementares para viabilizar o funcionamento da unidade.

De acordo com Mateus Simões, o hospital terá papel estratégico na rede estadual, especialmente na redução das filas cirúrgicas. As especialidades serão definidas por pactuação entre os municípios, por meio das comissões intergestores. A iniciativa integra a política de regionalização da saúde, que busca descentralizar serviços e ampliar o acesso ao atendimento de média e alta complexidade.
O edital de concessão pública para a gestão operacional da unidade prevê seleção de entidades filantrópicas, modelo que repetirá a experiência de outras unidades de saúde do estado e que pode estimular parcerias com instituições tradicionais.
Apesar de o cronograma oficial apontar a conclusão das obras até o fim de 2026, o histórico de atrasos ainda gera desconfiança. Parte dos recursos vem do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho, firmado após a tragédia de 2019, que tem financiado investimentos em saúde e infraestrutura no estado.

Outra promessa anunciada foi a tentativa de atrair serviços oncológicos atualmente concentrados em Barbacena para Conselheiro Lafaiete. A proposta, defendida pelo prefeito Leandro Chagas, reduziria o deslocamento de pacientes e poderia mudar o perfil da assistência regional.
Para a população, o hospital simboliza a esperança de atendimento mais próximo, menos filas e menor dependência de longas viagens. Se a obra cumprirá os prazos anunciados ou se repetirá o ciclo de atrasos, o tempo dirá. Por ora, a saúde voltou a ser prioridade no discurso e na agenda política.
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