A situação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Minas Gerais voltou a ser tema de preocupação. Na quinta-feira (14/08), a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou audiência pública, a pedido do deputado Doorgal Andrada (PRD), para discutir os entraves no custeio e as condições de trabalho dos profissionais que atuam no serviço.
Consórcios intermunicipais de saúde denunciaram que os repasses federais estão congelados há três anos, o que pressiona os cofres do Estado e dos municípios. O modelo de financiamento do SAMU prevê que a União arque com 50% das despesas, enquanto estados e municípios dividem igualmente os outros 50%.

No entanto, em Minas Gerais, o Estado vem assumindo 63% do custeio, segundo o subsecretário estadual de Acesso a Serviços de Saúde, Renan Guimarães. “Estamos expandindo o SAMU em Minas, mas o financiamento está desequilibrado. Precisamos do apoio e do reconhecimento do governo federal para compor esse custeio”, afirmou Guimarães.
A pressão por reajuste não é recente. Em julho, dez consórcios que operam o SAMU em cerca de 800 municípios mineiros, incluindo Conselheiro Lafaiete e região, alertaram para o risco iminente de paralisação caso não houvesse negociação com o governo federal ou estadual.
Além da defasagem orçamentária, a valorização profissional também preocupa. Condutores socorristas denunciam salários que giram em torno de R$ 1.600, valor bem abaixo do piso pago a motoristas com habilitação categoria D no Estado, que é de aproximadamente R$ 2.600. “Estamos mil reais abaixo da média de um motorista em Minas. Não há reconhecimento da função de socorrista”, criticou o condutor Arnaldo Mendes.
Em maio, profissionais do CISRU (Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Centro Sul) já haviam denunciado a precarização das condições de trabalho e alertado para a possibilidade de greve. Segundo Denis Arantes, secretário-executivo do consórcio da macrorregião Sudeste, a falta de reajuste atinge diretamente a manutenção de ambulâncias, compra de insumos e recomposição salarial.
Criado há mais de 20 anos, o SAMU é considerado essencial para o atendimento rápido em casos de urgência e emergência, mas enfrenta hoje um cenário de subfinanciamento e sobrecarga sobre os municípios mineiros.
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