O feminicídio da estudante de Medicina e advogada Letícia de Moraes Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, assassinada com mais de 100 facadas em Barbacena, repercutiu na sessão da Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete realizada na noite de terça-feira (30).
Durante pronunciamento na tribuna, a vereadora Damires Rinarlly lamentou o crime, classificou o caso como um retrato da violência contra as mulheres e solicitou um minuto de silêncio em homenagem à vítima. A parlamentar defendeu o fortalecimento de políticas públicas de proteção e afirmou que o enfrentamento ao feminicídio exige mudanças culturais e respostas mais efetivas das instituições.
Em seu discurso, Damires destacou que o assassinato evidencia a gravidade da violência de gênero no país e lembrou que Letícia havia registrado, em fevereiro deste ano, um boletim de ocorrência contra o então namorado por ameaças e comportamento agressivo. A vereadora também voltou a defender medidas como a ampliação da estrutura de atendimento às mulheres vítimas de violência, o fortalecimento da Delegacia Especializada e a adoção de instrumentos de proteção, como o botão do pânico. Após a manifestação, os vereadores respeitaram um minuto de silêncio em memória da vítima.

O caso também provocou reação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), Seção Minas Gerais. Em nota, a entidade manifestou profundo pesar pela morte de Letícia, afirmou que a violência contra a mulher fez mais uma vítima de forma brutal e informou que acompanhará as investigações e o processo criminal para fiscalizar a correta aplicação da lei. A OAB-MG defendeu uma apuração rigorosa, transparente e a responsabilização dos envolvidos, além de reforçar a necessidade de políticas permanentes de prevenção e combate ao feminicídio.
Segundo as investigações, Letícia foi encontrada morta no apartamento onde morava, em Barbacena. O principal suspeito é o namorado, estudante de Medicina de 25 anos, preso pela Polícia Militar e mantido em prisão preventiva por decisão da Justiça. O Ministério Público destacou a extrema violência empregada no crime ao pedir a manutenção da prisão, enquanto a Polícia Civil prossegue com o inquérito para esclarecer a dinâmica e a motivação do feminicídio. Letícia deixou dois filhos.
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