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Feminicídio em Barbacena provoca revolta e pedido de justiça

30 de junho de 2026
in Polícia
Feminicídio em Barbacena provoca revolta e pedido de justiça

Morte de estudante expõe violência e reincidência de ameaças.

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Barbacena e região vivem um clima de indignação após o assassinato da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, crime investigado como feminicídio. O caso ganhou repercussão pela extrema violência empregada e pelo histórico de ameaças registrado pela vítima meses antes do homicídio. O namorado, de 24 anos, foi preso em flagrante no domingo (28), em Bom Jardim de Minas, apontado pela polícia como principal suspeito do crime.

Segundo a investigação, Letícia foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, após amigos estranharem a falta de respostas às mensagens. O ex-marido da vítima conseguiu acessar o imóvel por uma sacada vizinha e encontrou o corpo caído na sala, em meio a grande quantidade de sangue. A perícia constatou diversas perfurações provocadas por arma branca na cabeça, nuca, pescoço, costas, orelhas e mãos. O veículo da estudante foi localizado abandonado em uma rua da cidade, enquanto o suspeito foi preso com cartões bancários e outros pertences da vítima.

O boletim de ocorrência revela que o relacionamento era marcado por ciúmes excessivos e comportamento agressivo. Em fevereiro deste ano, Letícia registrou uma ocorrência por ameaça contra o companheiro, fato que agora reforça o debate sobre a eficácia das medidas de proteção às mulheres vítimas de violência. Nas redes sociais, milhares de manifestações cobraram justiça e destacaram a necessidade de denunciar os primeiros sinais de abuso. A estudante deixa dois filhos, de 11 e 16 anos.

O caso também reacendeu o alerta sobre o avanço dos feminicídios no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que 1.568 mulheres foram assassinadas por razões de gênero em 2025, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em cerca de 80% dos casos, os autores eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Desde a criação da lei do feminicídio, em 2015, mais de 13,7 mil mulheres perderam a vida nessa condição, evidenciando que o histórico de ameaças e violência doméstica continua sendo um dos principais fatores de risco para esse tipo de crime.

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