EDITORIAL | FATO REAL
Como já dizia Ronaldinho Gaúcho: Treino é treino. Jogo é jogo. E nesta segunda-feira o Brasil mostrou que, em Copa do Mundo, o resultado pesa mais do que a atuação. A classificação veio depois do sufoco total. O alívio também. Mas o futebol apresentado ainda deixa muitos sinais de alerta.
A vitória por 2 a 1 sobre o Japão, construída apenas nos acréscimos, manteve vivo o sonho do hexacampeonato. Depois de sair atrás com um gol de Sano, a Seleção encontrou forças para reagir. Casemiro empatou de cabeça e Gabriel Martinelli, aos 49 minutos do segundo tempo, marcou o gol da classificação. Com certeza o sonho se constrói aos poucos, jogo a jogo…
O placar, porém, não pode esconder os problemas. O Brasil voltou a apresentar dificuldades na criação, erros de passe, desorganização no meio-campo e dependência de jogadas individuais. Contra adversários mais fortes, esse desempenho pode custar caro.
Carlo Ancelotti acertou ao mudar a equipe durante a partida. As entradas de Endrick e Martinelli deram mais intensidade e velocidade ao ataque. Mas a reação aconteceu muito mais pela insistência dos jogadores do que por um domínio absoluto da partida.
Casemiro simbolizou esse contraste. Falhou no lance que originou o gol japonês, mas mostrou personalidade para empatar quando o Brasil mais precisava. Martinelli, saindo do banco, confirmou que decisões importantes exigem jogadores preparados para mudar um jogo em poucos minutos.
A repercussão internacional classificou a vitória brasileira como épica. E realmente foi. Pela emoção, pelo sofrimento e pelo roteiro dramático. Mas também serviu como um lembrete de que tradição não vence partidas. Quem o diga a seleção da Alemanha, desclassificada pelo Paraguai nos pênaltis.
Camisa pesa. História inspira. Porém, organização, intensidade e eficiência continuam sendo indispensáveis.
Agora, o Brasil espera o vencedor de Noruega e Costa do Marfim. O mata-mata não costuma perdoar atuações irregulares. Cada erro aumenta o risco de eliminação.
O sonho do hexa continua vivo. Mas, se a Seleção quiser levantar a taça, será preciso transformar a emoção da classificação em futebol convincente. Porque, na Copa do Mundo, nem sempre haverá um gol salvador aos 49 minutos do segundo tempo.
