Deputados estaduais, prefeitos e representantes de consórcios de saúde cobraram nesta quarta-feira (27), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o reajuste imediato dos repasses federais destinados ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
O alerta foi feito durante reunião da Comissão de Saúde da ALMG, após municípios apontarem que a defasagem nos recursos já afeta o tempo de resposta das ambulâncias, o atendimento à população e os salários dos profissionais que atuam no serviço em diversas regiões de Minas Gerais.
A norma determina que a União seja responsável por 50% do custeio do Samu, enquanto estados devem arcar com ao menos 25% e os municípios com até 25%. Segundo levantamento apresentado durante a reunião, nenhum dos consórcios mineiros recebe atualmente o percentual previsto.
O maior índice de participação federal é de 32,36%, registrado no Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun). Já o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste (Cis-Urg Oeste) recebe apenas 18,48%, acumulando déficit operacional.

O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Iguatama, Lucas Lopes, afirmou que as prefeituras pedem apenas a correção inflacionária dos repasses. Segundo ele, a pressão da população recai diretamente sobre os gestores municipais quando o serviço falha.
Já o presidente do conselho diretor do Cisru Centro-Sul e prefeito de Barbacena, Carlos Du, relatou que a falta de atualização dos valores compromete o funcionamento das bases e dificulta a valorização dos trabalhadores. Ele informou que condutores socorristas recebem atualmente cerca de R$ 2,1 mil mensais e afirmou que muitos profissionais permanecem no SAMU por dedicação à atividade.
A diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais, Núbia Roberta Dias, defendeu a criação de um piso salarial nacional para os trabalhadores do SAMU, nos moldes do piso da enfermagem e com financiamento compartilhado entre União, estados e municípios.
