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A importância de (re)existir

9 de março de 2022
in Destaque, Gerais
A importância de (re)existir
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Na semana da mulher o Fato Real, em parceria com o Jornal Falado Carijós apresenta uma série especial de reportagem com foco em  m olhar diferenciado para o universo feminino. A personagem de hoje é Claudia.

Claudia Maria Pimenta faz parte de muitos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É uma mulher negra, assim como 54% da população, está incluída entre 67 milhões de mães no Brasil, sendo 31% solteiras, como Claudia, e trabalha com serviços gerais, como 87,5% das mulheres no país.

Há quase dois anos Claudia lida diariamente com o hipertireoidismo avançado que afetou a sua disposição física, aumentou a queda de cabelo e lhe causa ansiedade e problemas de pressão. Ela precisa urgentemente da cirurgia de retirada da tireoide, mas depende do Sistema Único de Saúde (SUS), que constantemente é negligente com a saúde de mulheres negras, algo publicamente admitido pelo Ministério da Saúde, que precisou criar políticas públicas para combater a desigualdade racial no setor.  Em decorrência dos riscos da doença, Claudia entrou na justiça há 5 meses para conseguir realizar a cirurgia com mais rapidez, mas até o momento não obteve uma resposta positiva.

Mesmo diante dos problemas ela não se deixa abalar, permanece transmitindo alegria e carinho para todos ao seu redor, algo que aprendeu com os pais que adotaram ela e o irmão gêmeo quando crianças. “Eu tenho esse meu jeitinho alegre, meio espontâneo, converso com todo mundo… quem convive comigo sabe que se precisar de mim, eu ajudo”, explica.

Infelizmente o machismo já a colocou em situações delicadas por sua espontaneidade, mas foi quando ela mostrou a sua força.  “Eu já fui cantada, não vou dizer que não, porque já. Mas aí eu coloco a pessoa no lugar dela, eu, assim como as outras mulheres, estão ali trabalhando. Às vezes a pessoa confunde as coisas, acha que só porque a gente é gentil está querendo alguma coisa, mas não”, relata.

Como mãe de dois homens, Cláudia Maria quis garantir que os filhos sempre respeitassem as mulheres e mesmo sem saber, contribuiu para um mundo mais seguro para elas. “Eu sempre falo para eles: eu não tenho uma filha, mas quero que respeitem a dos outros. Sempre tenham respeito com elas”,  revela.

Aos 53 anos e enquanto aguarda a cirurgia que tanto precisa, Claudia também espera poder viver um grande amor e ser muito feliz. “ Eu acredito no amor, sabe? E eu quero, um dia, poder viver algo assim. Um grande amor. E, claro, quero ser muito mais feliz ainda”. Claudia nos ensina a levar a vida com amor e alegria, pois foi assim que ela aprendeu a viver.

Produção: Mariana Marques.

Leia também: A pluralidade do feminino.

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