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Lafaiete tem votos, mas continua sem deputado da terra

5 de outubro de 2026
in Destaque, Lafaiete
Emendas impositivas ampliam poder político do Legislativo
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EDITORIAL| FATO REAL

A eleição acabou. Mas, para Conselheiro Lafaiete, a pergunta mais importante começa agora: por que uma cidade com tantos votos continua sem um deputado estadual ou federal residente? Os números são expressivos. Glaycon Franco terminou a disputa para deputado estadual com 39.527 votos em Minas. Damires Rinarlly teve 19.378. Erivelton Jayme chegou a 22.241 votos para deputado federal. Mesmo assim, nenhum deles conquistou uma cadeira.

Em Lafaiete, Glaycon recebeu 19.443 votos, Damires 12.863 e Erivelton 18.961. Ao mesmo tempo, candidatos de outras cidades também encontraram espaço no eleitorado local. Doorgal Andrada teve 4.618 votos. Samuel Viana, 3.387. Chiara Biondini, 2.900.

E aqui está o ponto central deste editorial. Não existe irregularidade em votar em candidato de fora. Pelo contrário. O eleitor tem liberdade para escolher quem quiser. E um deputado que não mora em Lafaiete também pode defender os interesses da cidade. Mas existe uma consequência política quando os votos locais se espalham por dezenas de nomes.

A força eleitoral fica pulverizada.

E há outro detalhe que muitas vezes passa despercebido. Deputado não é eleito simplesmente porque recebeu muitos votos individualmente. A eleição é proporcional. Os votos ajudam o partido ou a federação a conquistar cadeiras e, depois, os mais votados dentro dessas legendas ocupam as vagas.

Ou seja, não basta ter voto. É preciso construir uma estrutura política capaz de transformar voto em cadeira. Lafaiete chegou à eleição com uma quantidade significativa de candidaturas ligadas ao município. Antes mesmo da campanha, veículos locais já apontavam a multiplicação de nomes e a presença de candidatos de outras cidades buscando espaço no eleitorado lafaietense.

O próprio prefeito Leandro Chagas manteve relações políticas com nomes de fora, entre eles Doorgal Andrada e Samuel Viana. Doorgal, inclusive, participou de articulações com a administração municipal em projetos para Lafaiete. Isso mostra que a política regional não é simples. Alianças podem trazer recursos, obras e articulação. O problema não está necessariamente em apoiar quem vem de fora.

A questão é saber se Lafaiete possui, ou não, um projeto político regional capaz de sobreviver ao calendário eleitoral. Porque, se cada eleição começa novamente do zero, com vários candidatos, vários padrinhos e várias alianças, o resultado pode continuar sendo o mesmo.

Muitos votos. Pouca concentração. E nenhuma cadeira. Talvez a discussão mais importante deixada pelas urnas não seja sobre quem perdeu. Seja sobre o que a cidade pretende fazer daqui para frente. Lafaiete tem eleitorado. Tem lideranças. Tem nomes competitivos. Tem demandas que ultrapassam os limites municipais.

Falta saber se será possível transformar tudo isso em uma estratégia política construída antes da próxima campanha. Porque eleição termina no domingo. A cidade, não. E os problemas de Lafaiete continuam na segunda-feira.

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