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Vandalismo: o prejuízo que volta para o cidadão

O espaço é público. O prejuízo também é nosso

1 de setembro de 2026
in Destaque, Lafaiete
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EDITORIAL | FATO REAL

Existe uma contradição que precisa ser enfrentada com seriedade. A população cobra praças melhores, quadras reformadas, pontos de ônibus conservados e espaços para convivência. Mas, quando esses equipamentos são construídos ou recuperados, ainda há quem trate o patrimônio público como se não tivesse dono.

Tem dono, sim. Somos todos nós.

O caso mais recente em Conselheiro Lafaiete é emblemático. A quadra da Rua Brasil, no Jardim América, ainda estava em reforma quando teve o piso atingido por óleo diesel. A pintura foi danificada e precisará ser refeita. A reforma também previa atividades esportivas gratuitas, incluindo aulas de futsal. Ou seja, alguém não prejudicou apenas uma obra. Prejudicou crianças, jovens e moradores que esperavam utilizar aquele espaço.

E não é um problema isolado. O Cristo, um dos símbolos de Lafaiete, historicamente sofre com pichações e depredações. A própria Prefeitura já relatou situações em que a limpeza era realizada e, pouco depois, o monumento voltava a ser alvo de pichações.

O Túnel também enfrenta o mesmo problema.

É preciso fazer uma distinção clara. Grafite autorizado pode ser manifestação artística. Pichação sem autorização é outra coisa. A legislação federal prevê punição para quem picha ou danifica edificações e monumentos urbanos. No caso de monumentos ou bens tombados, a legislação estabelece tratamento mais rigoroso.

Mas existe uma questão ainda maior. Quanto custa o vandalismo?

Custa material. Custa mão de obra. Custa tempo. Custa fiscalização. E custa a oportunidade de fazer outra coisa com o dinheiro público.

Quando uma pintura precisa ser refeita porque alguém derramou óleo diesel em uma quadra recém-reformada, o recurso que deveria financiar uma nova melhoria acaba sendo usado para consertar o estrago.

É quase uma matemática perversa: a cidade investe para melhorar e alguém aparece para devolver a cidade ao ponto de partida. Por isso, não basta apenas pedir mais câmeras, fiscalização e punição. Tudo isso é necessário. Mas também é preciso criar uma cultura de pertencimento.

A praça não é da Prefeitura.

A quadra não é da Prefeitura.

O ponto de ônibus não é da Prefeitura.

O Cristo não é da Prefeitura.

Tudo isso é público. Portanto, é de todos.

E quem destrói patrimônio público não está prejudicando um governo. Está prejudicando o próprio vizinho, a própria comunidade e, no fim das contas, a si mesmo.

A pergunta que fica para Lafaiete é simples: que cidade queremos deixar para as próximas gerações? Uma cidade onde se constrói e se preserva ou uma cidade onde o poder público reforma e alguém destrói?

O patrimônio público não precisa apenas de manutenção. Precisa de respeito. Porque o prejuízo pode até aparecer na conta da Prefeitura.

Mas a conta, no final, chega para todos.

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