Minas Gerais se consolidou como um dos principais campos de disputa entre direita e esquerda, segundo levantamento do cientista político Fábio Vasconcelos, da Uerj e da PUC-Rio, que analisou a direção do voto nos 853 municípios mineiros entre 2002 e 2022. O dado ganha força regional porque Metropolitana, Vale do Rio Doce e Campo das Vertentes reúnem 243 cidades e 42,6% do eleitorado estadual. Apesar de uma média histórica de 55,6% para a esquerda, o conjunto passou a registrar maioria de direita em 2022, quando alcançou 50,4%.
O cenário ajuda a dimensionar a importância eleitoral do Campo das Vertentes, onde está inserida a região de Conselheiro Lafaiete. Na eleição presidencial de 2022, porém, Lafaiete manteve vantagem de Lula no segundo turno, com 57,03% dos votos válidos, contra 42,97% de Bolsonaro. O mesmo ocorreu em municípios próximos, como Congonhas, Ouro Branco, Carandaí, Barbacena e Entre Rios de Minas.
O estudo identifica ainda outros comportamentos. Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Noroeste e Central Mineira, com 115 cidades, passaram de uma média histórica de 52,6% para a esquerda para 53,9% para a direita entre 2018 e 2022. Na direção oposta, a Zona da Mata preservou forte predominância petista: 97% de seus 139 municípios tiveram preferência pelo PT ao longo do período. Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri também mantiveram predominância da esquerda, enquanto Sul, Sudoeste e Oeste permaneceram como áreas de maior força da direita.
O levantamento mostra, assim, um mapa eleitoral mineiro menos previsível. Regiões que durante décadas apresentaram comportamento mais definido passaram a alternar posições, enquanto outros territórios preservaram padrões históricos. Em Lafaiete, o resultado de 2022 reforçou a característica de uma região onde a disputa nacional encontra eleitorados com trajetórias diferentes, tornando uma área relevante para a leitura do cenário político de Minas.
Fontes: Portal UAI e PUC Rio
