EDITORIAL | FATO REAL
Nesta segunda-feira, cerca de 13 mil estudantes voltaram às salas de aula em 47 escolas da rede municipal de Conselheiro Lafaiete. A Secretaria de Educação sem dúvidas preparou as unidades com limpeza, dedetização, abastecimento da merenda e planejamento pedagógico. Tudo isso é importante e merece reconhecimento.
Mas a volta às aulas também traz de volta um velho conhecido da população: o trânsito travado, as filas duplas, o estacionamento irregular e a falta de respeito nas portas das escolas. É um problema que reaparece a cada semestre, como se fosse uma surpresa anunciada.
Existe outro ponto que não pode ser esquecido. Enquanto milhares de alunos retomam a rotina, a Escola Municipal Professor Luiz Radamés de Araújo continua fechada, sem previsão de reabertura. A unidade foi alvo de investigação da CPI das Obras e segue aguardando uma solução definitiva.
A própria Prefeitura informou, no início de 2025, que o prédio apresentava problemas estruturais e que os alunos seriam transferidos temporariamente. Mais de um ano depois, o “temporário” continua sem prazo para acabar.
A Câmara Municipal instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar possíveis irregularidades na construção da escola, contratando inclusive perícia técnica para auxiliar as investigações.
A pergunta permanece no ar: quem responde pelo prejuízo das crianças, das famílias e dos profissionais da educação? Uma escola pronta para funcionar não deveria permanecer fechada por tanto tempo enquanto recursos públicos já foram investidos.
O aumento do fluxo de veículos exige fiscalização, campanhas educativas e planejamento da mobilidade urbana. Ao mesmo tempo, o caso da Luiz Radamés exige transparência e uma resposta concreta. Educação de qualidade não depende apenas de bons professores. Depende também de obras que terminem de verdade, de gestão eficiente e de compromisso com quem mais importa: os alunos.
A volta às aulas representa um novo começo. Mas alguns problemas insistem em repetir o mesmo capítulo. E isso, definitivamente, não pode fazer parte do currículo da cidade.
