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Henrique e Juliano ficam fora: saúde vira justificativa

2 de agosto de 2026
in Destaque, Lafaiete
Emendas impositivas ampliam poder político do Legislativo
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EDITORIAL l FATO REAL

A Prefeitura de Conselheiro Lafaiete desistiu da contratação de Henrique e Juliano, atração que havia sido anunciada pelo prefeito Leandro Chagas. A justificativa apresentada é a redução da arrecadação e a necessidade de preservar recursos para a implantação do Centro de Oncologia. Até aqui, uma decisão administrativa perfeitamente defensável. Mas ela também abre uma pergunta que merece ser feita: o que mudou entre o anúncio do show e o cancelamento?

O discurso da prioridade da saúde ganha ainda mais força porque outras cidades mineiras também estão revendo festas e gastos. Em Cipotânea, a Festa do Milho foi cancelada para priorizar a construção de uma nova ponte. Em Itabirito, a tradicional Festa do Pastel de Angu teve a realização reduzida. Não parece mais ser apenas uma questão de gosto musical ou de calendário de festas. Há um novo ambiente de cobrança sobre o uso do dinheiro público.

E existe um ingrediente importante nessa história: o controle externo. O Tribunal de Contas de Minas Gerais revelou que as prefeituras gastaram quase R$ 940 milhões em shows entre 2020 e 2024, em aproximadamente 7 mil apresentações. O próprio Tribunal passou a fiscalizar contratações diante de questionamentos sobre preços, capacidade financeira dos municípios e possível inversão de prioridades.

Em Minas, a Assembleia Legislativa também aprovou a proposta que limita os gastos públicos com artistas. Para municípios, a regra aprovada prevê teto de R$ 500 mil por apresentação, além de critérios vinculados à receita corrente líquida. A proposta foi encaminhada para sanção em 17 de julho.

Portanto, a saúde pode, sim, ser a razão apresentada por Lafaiete. Mas o contexto mostra que existe algo maior acontecendo: prefeitos estão sendo obrigados a explicar melhor cada real gasto com entretenimento. E, nesse novo cenário, anunciar um grande show pode render aplausos. Cancelá-lo pode render um discurso de responsabilidade. A pergunta que fica para o cidadão é: quanto custaria a festa, quanto será economizado e exatamente quanto desse dinheiro chegará para a saúde? É essa conta que precisa aparecer.

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