Nem a chuva afastou o público da Praça de Eventos Manoel Pereira da Silva na noite dessa sexta-feira, 24. A programação do Dia da Cultura Urbana, dentro do 31º Festival de Inverno de Congonhas, reuniu artistas locais, dança, batalhas de rima e rap em uma celebração da diversidade cultural, encerrada com o aguardado show do rapper mineiro Djonga.
A programação começou com os DJs congonhenses Juruna e Paulo Vitor, que aqueceram a plateia com um repertório voltado à música urbana. Em seguida, o Baile Charme da União das Culturas de Rua (UCR), coletivo que promove e fortalece as expressões da cultura urbana em Congonhas, levou ao palco as músicas como elemento de identidade, pertencimento e valorização do movimento hip-hop.
Palmas e vozes embalaram o show, em um encontro marcado pela identificação com letras que retratam vivências, desigualdades, resistência e reflexões sobre a realidade brasileira.
Djonga nasceu na Favela do Índio, em Belo Horizonte, e cresceu na região leste da capital mineira. Um dos principais nomes do rap nacional contemporâneo, construiu sua trajetória transformando experiências pessoais e questões sociais em músicas que dialogam com diferentes gerações e consolidam o rap como uma importante linguagem artística da música brasileira.
Em entrevista concedida após o show, ele destacou a importância de festivais públicos ampliarem espaço para artistas locais e para a cultura produzida nas cidades.
“Tomara que todo ano tenha cada vez mais gente da cidade ocupando esse espaço, sendo o centro das atenções. Eu já recebo aplausos o tempo todo e sou muito grato por isso, mas o mais importante é ouvir a música de quem vive a realidade daqui, de quem conhece os problemas e as soluções da cidade”, afirmou.
O rapper também elogiou a diversidade do Festival de Inverno de Congonhas e ressaltou a importância de uma programação que reúne diferentes linguagens artísticas e valoriza a cultura preta. “A música é da nossa família, da nossa comunidade. Durante muito tempo existiu preconceito com o que nós fazemos, mas somos pessoas ligadas à nossa história, às nossas tradições. A música preta é a continuidade da canção brasileira”, disse.
O 31º Festival de Inverno de Congonhas é realizado pela Prefeitura de Congonhas e conta com programação gratuita até o dia 1º de agosto.
