EDITORIAL | FATO REAL
Quando uma obra pública é inaugurada, a população espera encontrar portas abertas, segurança e serviço funcionando. Em Conselheiro Lafaiete, o relatório final da CPI das Obras apresenta um cenário diferente. Depois de meses de investigação, vereadores apontaram indícios de falhas em empreendimentos que consumiram cerca de R$ 10 milhões e que, pouco tempo após as inaugurações, já acumulavam interdições, problemas estruturais e ausência de documentos considerados essenciais.
O documento não condena ninguém. Essa não é a função de uma CPI. Mas levanta questionamentos que dificilmente poderão ser ignorados. Se uma escola permanece fechada, uma unidade de saúde precisa ser parcialmente interditada e uma obra de drenagem volta ao debate por problemas técnicos, a pergunta deixa de ser política e passa a ser do cidadão. Quem fiscalizou? Quem recebeu essas obras? Quem atestou que estavam prontas?
Outro ponto chama atenção. A própria comissão afirma que não conseguiu individualizar responsabilidades por causa da falta de documentos e da fragmentação administrativa. Isso revela um problema que vai além de um governo. Sem registros completos, a transparência perde força, a fiscalização fica comprometida e a conta acaba chegando ao contribuinte.
Agora o relatório segue para o Ministério Público, Tribunal de Contas e demais órgãos de controle. É nesse momento que a investigação técnica ganha ainda mais importância. Se houver irregularidades, elas precisam ser confirmadas com provas e, se for o caso, gerar responsabilização. Se não houver, isso também deve ficar claro.
Nos bastidores, o assunto certamente terá forte repercussão política. Mas a discussão não pode se limitar à disputa entre governo e oposição. A verdadeira questão é outra. Quantas obras públicas ainda são inauguradas antes de estarem efetivamente concluídas? E quantas vezes o marketing chega antes da engenharia?
O dinheiro é público. A fiscalização também deve ser. E a resposta, mais cedo ou mais tarde, precisa chegar à população.
