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Fios soltos continuam dominando Lafaiete e colocam vidas em risco

A lei existe, o que falta é fiscalização

8 de julho de 2026
in Destaque, Gerais
Emendas impositivas ampliam poder político do Legislativo
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EDITORIAL | FATO REAL

Em Conselheiro Lafaiete, basta caminhar por ruas como Benjamin Constant, Afonso Pena, Dias de Souza e imediações da Praça Getúlio Vargas para encontrar uma cena que já virou rotina em praticamente quase todos os bairros da cidade. Cabos pendurados, fios rompidos e emaranhados que transformam calçadas e vias públicas em obstáculos para pedestres, motociclistas, ciclistas e pessoas com deficiência.

O problema deixou de ser apenas visual. Tornou-se uma questão de segurança pública.

Durante a sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (07), vereadores voltaram a cobrar providências diante de uma situação que já motivou relatos de acidentes. Um motociclista afirmou ter sido atingido por um cabo que se enrolou em seu pescoço. Outros moradores relatam tropeços e dificuldades para circular pelas calçadas.

O mais preocupante é que o município já possui uma legislação específica. A Lei Complementar nº 226, de 2025, determina que empresas responsáveis pelos serviços de telecomunicações removam cabos inutilizados, organizem a fiação, identifiquem suas redes e mantenham os postes dentro dos padrões de segurança e organização. A norma também prevê fiscalização municipal e aplicação de penalidades.

Na prática, porém, a pergunta continua sem resposta: por que a lei ainda não saiu do papel?

A Prefeitura já informou, em resposta a requerimentos do Legislativo, que a responsabilidade direta pela retirada dos cabos pertence às empresas de telecomunicações e energia, enquanto o Município enfrenta limitações técnicas para identificar a quem pertence cada fio.

Mas para quem caminha pelas ruas, pouco importa quem está certo no jogo de responsabilidades. O cidadão quer solução.

A experiência de cidades vizinhas demonstra que ações conjuntas entre poder público, concessionárias e empresas de internet conseguem reduzir o problema por meio de mutirões, notificações e fiscalização permanente.

Enquanto isso não acontece, Lafaiete convive com uma paisagem marcada pela poluição visual. Até casarões históricos acabam escondidos atrás de uma verdadeira teia de cabos. Mais grave ainda é o risco permanente de novos acidentes.

A lei existe. As reclamações aumentam. Os riscos são conhecidos.

O que falta agora é transformar fiscalização em ação concreta. Porque fio solto não pode continuar sendo tratado como detalhe urbano quando representa perigo real para quem sai de casa todos os dias.

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