A crise provocada pelas falhas na Central de Regulação de Ofertas de Cuidados à Saúde (Core-MG) chegou à Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete. Durante a sessão legislativa nesta quinta-feira (02), vereadores manifestaram preocupação com o aumento das dificuldades para transferências de pacientes e defenderam a realização de uma audiência pública para apurar os impactos do novo sistema de regulação da saúde em Minas Gerais.
O debate ocorreu após relatos de pacientes que aguardam por vagas para cirurgias, exames, internações e transferências sem respostas do Estado. Parlamentares afirmaram que hospitais da região enfrentam dificuldades diárias para conseguir leitos e que a demora tem colocado vidas em risco.
Os vereadores também defenderam o envio de um manifesto ao Governo de Minas, à Secretaria de Estado de Saúde, ao Ministério Público e à Associação Mineira de Municípios (AMM), pedindo providências imediatas para solucionar os problemas da regulação estadual.
A Câmara também pretende convidar representantes dos hospitais de Lafaiete e da região, além de gestores estaduais da saúde, para participar da audiência pública. O objetivo é reunir informações técnicas sobre as dificuldades enfrentadas pelas unidades hospitalares desde a implantação da Core-MG.
Debate chegou à Assembleia de Minas
As reclamações apresentadas em Lafaiete reforçam as preocupações debatidas recentemente na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde a implantação da Core-MG foi alvo de audiência pública.

Na ocasião, representantes do Ministério Público, profissionais da saúde e deputados estaduais alertaram para inconsistências na plataforma, que podem comprometer o acesso da população a consultas, exames, cirurgias e internações.
A promotora de Justiça Josely Ramos Pontes afirmou que falhas no sistema podem colocar pacientes em risco e apontou aumento da judicialização das demandas após a substituição do SUSFácil. Também foram relatados desaparecimento de vagas, dificuldades operacionais e encaminhamentos de pacientes para municípios distantes.
Em resposta às críticas, a Secretaria de Estado de Saúde informou que a Core-MG permite o cadastro de qualquer paciente, inclusive sem documentos de identificação, e afirmou que todas as ocorrências relatadas estão sendo apuradas, com previsão de ajustes sempre que necessário.
