O homem investigado pelo feminicídio da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, foi transferido nesta quarta-feira (1º) para o presídio de Barbacena. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça após as investigações apontarem o suspeito como autor do crime ocorrido no último sábado (27), quando a vítima foi assassinada dentro do apartamento onde morava com mais de 130 golpes de faca, segundo informações da perícia.
Em entrevista à rádio de São João del-Rei, o advogado Pedro Poça, que representa a família de Letícia, afirmou que, além da prisão preventiva, o processo reúne circunstâncias previstas no Código Penal que poderão resultar no aumento da pena, caso o investigado seja condenado. De acordo com o defensor, os elementos reunidos durante a investigação são desfavoráveis ao acusado e serão avaliados ao longo da ação penal. A Polícia Civil ainda apura a motivação e a dinâmica do crime, que segue em fase de inquérito.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou que o processo tramite em segredo de justiça. Com a decisão, o acesso aos autos fica restrito ao magistrado, ao Ministério Público, à defesa e às autoridades policiais responsáveis pela investigação. A medida busca preservar a intimidade e a dignidade da vítima e de seus familiares, além de proteger testemunhas e evitar a divulgação de informações que possam comprometer a apuração dos fatos.
Letícia estava na fase final do curso de medicina e era mãe de dois filhos. Conforme registros policiais, ela havia procurado a polícia em fevereiro deste ano para denunciar o então companheiro por ameaças e comportamento agressivo. O investigado foi preso após ser localizado fora de Barbacena, e a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva por entender que havia fundamentos para a manutenção da custódia durante as investigações. O mérito da acusação ainda será analisado pela Justiça, assegurando ao investigado o direito à ampla defesa e ao contraditório.
