O ex-prefeito de Conselheiro Lafaiete, Mário Marcus, prestou depoimento na condição de testemunha, nesta quarta-feira (1º) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal que apura possíveis irregularidades em três obras executadas durante sua administração: a revitalização da rua Dr. Moreira, a construção da Escola Municipal Professor Luiz Radamés de Araújo e a Unidade Básica de Saúde Maria Celeste Fonseca Ribeiro.
Durante cerca de 1 hora de oitiva, acompanhado pelo advogado Jorcelino de Oliveira, o ex-chefe do Executivo negou ter determinado qualquer pressão para acelerar a entrega dos empreendimentos, mesmo diante da proximidade do encerramento de seu mandato. A CPI investiga, entre outros pontos, o fato de as três obras terem sido entregues sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e todas apresentarem problemas pouco tempo após início de uso.
Sobre a obra da rua Dr. Moreira, Mário Marcus afirmou que a administração cobrava apenas agilidade para reduzir os transtornos enfrentados por comerciantes e moradores, mas sem comprometer a qualidade da execução. O ex-prefeito também declarou que, até o encerramento de sua gestão, não recebeu informações sobre falhas de drenagem, fundação ou estabilidade nas obras, ressaltando que sua função era de gestor da administração e não de fiscal da execução.
Em relação à Escola Municipal Professor Luiz Radamés de Araújo, o ex-prefeito afirmou que as decisões para inauguração e funcionamento da unidade foram tomadas com base nas informações técnicas apresentadas pelos responsáveis pela obra. Ao ser questionado sobre a liberação definitiva do prédio, respondeu que não tinha conhecimento de que a escola tivesse sido entregue em desacordo com as exigências legais. Também declarou considerar “absurdo” que a unidade permaneça fechada quase dois anos depois, defendendo que o prédio possui condições de uso mediante as adequações necessáriaas apontadas pelos órgãos competentes.
A oitiva integra a fase final de depoimentos da CPI, instaurada para apurar a execução e a fiscalização das três obras, que consumiram cerca de R$ 10 milhões em recursos públicos. A comissão busca identificar se houve falhas de planejamento, fiscalização, recebimento ou execução dos contratos, além de eventual responsabilidade de agentes públicos e empresas envolvidas. O relatório final deverá reunir os depoimentos, documentos e laudos técnicos antes do encaminhamento das conclusões aos órgãos de controle e fiscalização.
