A Polícia Federal indiciou 34 pessoas investigadas na Operação Rejeito por suspeita de integrar uma organização criminosa voltada à exploração irregular da mineração em Minas Gerais. O relatório final do inquérito, concluído na última quinta-feira (25), aponta um esquema que reunia crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, fraudes administrativas e falsidade documental para viabilizar empreendimentos de mineração de ferro e manganês em áreas protegidas do estado.
Entre os indiciados estão os empresários Alan Cavalcante do Nascimento, Helder Adriano de Freitas e o ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages, apontados pela investigação como integrantes da liderança do grupo. Também foram indiciados servidores públicos estaduais e federais suspeitos de favorecer a organização por meio da manipulação de licenças ambientais, títulos minerários, pareceres técnicos e decisões de colegiados responsáveis por autorizações para exploração mineral.
Segundo a Polícia Federal, a estrutura criminosa começou a se consolidar após a Operação Poeira Vermelha, deflagrada em 2020, e passou a operar por meio de uma rede com mais de 40 empresas ligadas ao setor mineral. A investigação aponta que essas empresas eram utilizadas para ocultar patrimônio, dissimular receitas e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários das atividades. Mesmo após as primeiras ações policiais, o grupo teria reorganizado empresas e movimentações financeiras para manter o funcionamento do esquema.
O inquérito também descreve um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro, com uso de empresas interpostas e registros societários paralelos para ocultar os controladores reais dos empreendimentos. Planilhas apreendidas indicam que o grupo projetava lucro líquido de R$ 3,8 bilhões para a empresa Fleurs Global, condicionado à continuidade da exploração em áreas da Serra do Curral, além de resultados estimados em R$ 133,3 milhões para o projeto MMF e R$ 375 milhões para o projeto Prisma.
