EDITORIAL | FATO REAL
Em Conselheiro Lafaiete, a paisagem urbana parece cada vez mais dominada por um problema que muitos já consideram normal, mas que está longe de ser aceitável. Cabos de internet, telefonia e TV a cabo pendurados, embolados e, em alguns casos, caídos sobre os passeios públicos transformam ruas e bairros em verdadeiros obstáculos para pedestres.
Um dos exemplos está na rua Duque de Caxias, no bairro Chapada. No local, moradores denunciam que a fiação ocupa parte da calçada e dificulta a passagem de idosos, crianças e pessoas com deficiência. A situação já dura mais de uma semana e, diante da demora por uma solução, os próprios moradores precisaram improvisar para evitar que os fios continuassem espalhados pelo passeio.
O problema, no entanto, está longe de ser isolado. Relatos semelhantes surgem em diferentes regiões da cidade. O que deveria ser exceção virou regra. E quando uma irregularidade passa a ser vista como parte da paisagem, o sinal de alerta precisa ser ainda maior.
As normas nacionais determinam que a ocupação dos postes deve seguir critérios técnicos de segurança e organização. As empresas de telecomunicações têm responsabilidade pela manutenção e regularização de seus cabos, enquanto as distribuidoras também possuem dever de fiscalização das estruturas compartilhadas.
O que se vê nas ruas, porém, sugere que a teoria e a prática estão em lados opostos. Em muitas cidades brasileiras, cabos antigos permanecem abandonados após trocas de operadoras ou atualizações de rede. O resultado é um emaranhado que compromete a segurança, a acessibilidade e a própria estética urbana.
A pergunta que fica é simples: quem está fiscalizando?
Enquanto agências reguladoras discutem novas regras e programas para organizar os postes e retirar cabos irregulares, a população continua convivendo diariamente com fios baixos, estruturas improvisadas e riscos de acidentes.
Lafaiete não precisa esperar que um incidente grave aconteça para agir. A cidade já conhece o problema. Os moradores já fizeram as denúncias. As imagens falam por si.
A solução exige fiscalização efetiva, identificação das empresas responsáveis e prazos claros para regularização. Afinal, poste não é depósito de cabos abandonados. E calçada existe para as pessoas caminharem, não para servirem de suporte improvisado para uma rede que deveria estar organizada.
O emaranhado está nos postes. A responsabilidade não pode continuar emaranhada também.
