O mercado financeiro voltou a revisar para cima a projeção da inflação brasileira para 2026. Dados divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central, por meio do Relatório Focus, indicam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o próximo ano em 5,3%, percentual superior ao teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%. O avanço representa a 14ª elevação consecutiva nas projeções e amplia o sinal de preocupação com o comportamento dos preços no país.
Entre os fatores que contribuem para a alta está o aumento das cotações do petróleo no mercado internacional, impulsionado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. O movimento tende a impactar combustíveis, transporte e diversos setores produtivos. Em maio, o IPCA registrou alta de 0,58%, acumulando 4,72% nos últimos 12 meses. No acumulado de 2026, a inflação já soma 4,26%.
Apesar do cenário mais pressionado para os preços, os analistas elevaram ligeiramente a projeção de crescimento da economia brasileira. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,91% para 1,96% em 2026. Para os anos seguintes, as projeções foram mantidas em patamares moderados, abaixo do crescimento previsto pelo governo federal, que trabalha com expansão de 2,3% no próximo ano.
O relatório também aponta aumento nas projeções para a taxa básica de juros e para o dólar. A Selic deve encerrar 2026 em 13,75% ao ano, enquanto a cotação da moeda norte-americana foi revisada para R$ 5,20. Os números são divulgados às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá os próximos passos da política monetária diante de um cenário marcado pela persistência da inflação e pela busca de equilíbrio entre crescimento econômico e controle dos preços.
