A Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete derrubou por unanimidade, na sessão realizada nesta terça-feira (02), os vetos totais do prefeito Leandro Chagas aos Projetos de Lei nº 015/2026 e nº 016/2026, assegurando a inclusão da Festa de Nossa Senhora da Luz e da Festa do Sagrado Coração de Jesus no Calendário Oficial de Eventos do Município. A decisão representa uma vitória para as duas tradições religiosas e culturais da cidade, que agora passam a contar com reconhecimento oficial após discussão entre os Poderes Executivo e Legislativo.
A sessão foi acompanhada pelo padre José Evangelista (padre Zezinho), religiosos e fiéis das paróquias envolvidas. Os vetos haviam sido apresentados pelo executivo sob o argumento de que o reconhecimento oficial das festividades poderia contrariar os princípios constitucionais da laicidade, neutralidade e isonomia do Estado.

Durante os debates, porém, prevaleceu entre os vereadores o entendimento de que as celebrações possuem relevância que vai além da dimensão religiosa. Autor dos projetos, o vereador Pedro Américo, defendeu que os eventos representam parte da memória coletiva de Lafaiete e ajudam a preservar a identidade cultural do município, além de aquecer o turismo religioso. A vereadora Gina Costa também criticou os vetos e destacou a importância histórica das festividades, lembrando as tradicionais transmissões realizadas pela Rádio Carijós ao longo de décadas. E lamentou que a discussão sobre o possível veto estivesse ocorrendo justamente às vésperas da festa religiosa da Entronização, umas das mais tradicionais da cidade. Um dos pronunciamentos mais marcantes foi o do vereador Fernando Bandeira, que emocionado, ressaltou a tradição da entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares lafaietenses, prática mantida por gerações.
Com a rejeição dos vetos, espera-se que a Festa de Nossa Senhora da Luz, realizada anualmente em fevereiro no Santuário de Nossa Senhora da Luz, e a Festa do Sagrado Coração de Jesus, promovida desde 1962 na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, passam a integrar oficialmente o calendário municipal; o que depende da sanção pelo prefeito.
