Por: Paulo Antunes
Nem a impossibilidade do abraço último será água fria no coração de tudo e todos que degustaram sua presença, pois era plena nas atitudes e no esbanjar do riso solto, muito grande para nosso impotente entendimento. Essa criança/moça/senhora deixará muitas saudades, mas em maior escala restará a colheita da alegria que plantava nos corações, o olhar de brilho de lua incandescente, a constelação de afetos e até o silêncio nada perturbador.
Dhoca veio, plantou e se foi… Mas, se eternizou em nós, foi trecho de livro meu, amiga de café à mesa, viagens e local de trabalho. Era uma dessas espécies raras de Mãe do mundo, mães/mãos sempre prontas para embalar a fragilidade do ser humano… Dhoca veio, plantou e se foi… Mas, se eternizou nas gentes com quem conviveu, nas obras de arte que acendeu… E ascendeu para muito longe! Ficará em mim e numa multidão de outros iguais em memória e alegria. E isso basta, é certo, se consumou. Era demasiado grande para ser só nossa, gigante demais para aturar por muito tempo as vaidades tolas do mundo.
Viaja em paz, querida. Viaja como quem está num trem em trajeto sinuoso sem nunca dar adeus. Porque não era ela mulher de adeus. Era, é e será de Deus na sua abrasiva fé no Divino. E leva os beijos meus e dos outros amigos e parentes iguais. Amém!
Obs: Dhoca Antunes, que foi durante muitos anos bibliotecária na Fasar.
