Os 14 últimos sobreviventes do antigo Hospital Colônia, em Barbacena, começarão a ser transferidos na próxima segunda-feira (25) para uma residência de acolhimento na zona rural do município. A mudança encerra um dos capítulos mais marcantes da história da saúde mental no Brasil, justamente no Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Todos são idosos, vivem há décadas no local e muitos chegaram ainda crianças ao hospital psiquiátrico, sem diagnóstico confirmado de transtorno mental.
De acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), os moradores vivem atualmente em casas construídas dentro do terreno onde funcionava o manicômio. Parte deles está debilitada, alguns dependem de sondas para alimentação e outros permanecem acamados, sem contato com familiares ou referências externas. O grupo continuará sendo acompanhado por equipes de saúde durante a transferência para o novo espaço de acolhimento.
O Hospital Colônia ficou conhecido internacionalmente pelas graves violações de direitos humanos registradas ao longo do século XX. Milhares de pessoas foram internadas compulsoriamente no local, muitas delas sem qualquer doença psiquiátrica. Pobres, mulheres grávidas, pessoas rejeitadas pelas famílias e cidadãos considerados indesejados acabavam enviados ao manicômio. O cineasta Helvécio Ratton retratou parte dessa realidade no documentário “Em Nome da Razão”, gravado durante o funcionamento da instituição.
O antigo manicômio começou a ser desativado na década de 1980, após denúncias sobre maus-tratos e abandono. Atualmente, o espaço abriga o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, voltado ao tratamento humanizado, além do Museu da Loucura, que preserva a memória das vítimas do Colônia. A saída dos últimos sobreviventes representa o encerramento simbólico de uma estrutura marcada pela exclusão social e pela violação da dignidade humana.
