Minas Gerais não conseguiu cumprir as metas previstas para ampliar o ensino em tempo integral e melhorar o aprendizado dos alunos da rede pública estadual. Dados do Censo Escolar de 2024, apresentados em audiência pública realizada nesta quinta-feira (23), na Assembleia Legislativa, mostram que apenas 9,9% dos estudantes estão matriculados nessa modalidade. O índice fica distante da meta de 25% estabelecida pelo Plano Estadual de Educação, evidenciando atraso no cumprimento das políticas educacionais.
O cenário também revela falhas estruturais na oferta do ensino integral. Somente 22,6% das escolas estaduais oferecem a modalidade, menos da metade do objetivo fixado, que é de 50%. Representantes da Secretaria de Estado de Educação afirmaram que houve crescimento gradual desde 2021, quando apenas 11,3% das escolas tinham ensino integral. No entanto, o avanço foi insuficiente para melhorar a posição do Estado no ranking nacional. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos aponta Minas na 21ª colocação no percentual de alunos atendidos, abaixo da média nacional de 20,8%.
Além da baixa cobertura, a qualidade do ensino também ficou aquém das metas. O desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica mostra resultados inferiores aos objetivos estabelecidos. Nos anos iniciais do ensino fundamental, Minas alcançou nota 6,2, abaixo da meta de 6,9. Nos anos finais, o índice ficou em 4,6, distante do objetivo de 5,7 e inferior à média nacional. No ensino médio, a nota caiu para 4, resultado inferior ao parâmetro previsto e que reforça a preocupação com o avanço do aprendizado nas etapas finais da formação escolar.
Durante a audiência, foram relatados impactos diretos nas escolas e na permanência dos alunos. Dados do Censo Escolar ainda indicam que 39% dos estudantes que iniciam o ensino fundamental não chegam ao ensino médio, sinalizando fragilidade na permanência escolar e ampliando o desafio de garantir acesso, qualidade e inclusão no sistema educacional mineiro.
