A morte de do ex-prefeito e ex-deputado, Arnaldo Penna, neste sábado (28), reacendeu um debate antigo e ainda atual em Conselheiro Lafaiete. Lideranças políticas e acadêmicas da região destacaram não apenas a trajetória pública, mas o impacto duradouro de suas ideias sobre representatividade e formação intelectual. O legado deixado por Arnaldo Penna, sobretudo na educação, foi o foco de conversa entre admiradores e lideranças políticas que passaram pelo velório realizado na Câmara Municipal.
Glaycon Franco ressaltou que a perda ocorre em um momento sensível. Segundo ele, a região ainda enfrenta desafios históricos ligados à falta de representatividade política nas esferas estadual e federal. Glaycon, que exerceu três mandatos como deputado estadual lembrou que Arnaldo foi um dos primeiros a identificar esse problema e a transformá-lo em pauta pública.
Acorda Lafaiete!
Durante sua atuação, Arnaldo consolidou o discurso que marcou sua trajetória. O slogan “Acorda Lafaiete” surgiu como um chamado direto à população. A mensagem era clara e permanece atual. Sem a devida representatividade, a cidade e região perdem espaço em decisões estratégicas que envolvem, por exemplo, saúde, educação e infraestrutura. Em um estado com 853 municípios e apenas 77 deputados estaduais, a disputa por atenção política exige articulação e consciência coletiva.
A fala de Glaycon reforça esse cenário. Ele destacou que Conselheiro Lafaiete, hoje o maior município do Alto Paraopeba e Campo das Vertentes em população, precisa transformar seu peso de cidade polo em força política. A cidade é referência para cerca de 20 municípios e exerce influência direta sobre a região.
Formação intelectual
Além da atuação política, outro aspecto do legado de Arnaldo ganhou destaque. O presidente da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette, Moisés Mota, lembrou a trajetória do professor e intelectual.
Ao longo de sua trajetória acadêmica, destacou-se como professor e formador de gerações. Foi docente da Escola Estadual Narciso de Queirós e do Colégio Nossa Senhora de Nazaré, além de professor de Direito Civil da Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete, instituição da qual também foi Diretor. Na UFJF, exerceu o cargo de Professor Auxiliar de Ensino. Sua dedicação ao ensino consolidou uma carreira respeitada e de grande impacto na formação jurídica e educacional da região.
Para Moisés, o reconhecimento desse trabalho se consolidou quando Arnaldo foi eleito, por unanimidade, membro honorário da Academia. O gesto simbolizou o respeito institucional a uma trajetória marcada pelo conhecimento e pela contribuição à sociedade.
Descrito como uma liderança agregadora, Arnaldo também se destacou pela defesa da educação e pela valorização do serviço público. Incentivava a formação técnica e reconhecia o papel estratégico de servidores qualificados na construção de políticas públicas eficientes.
A morte de Arnaldo Penna deixa uma lacuna política e intelectual. Ao mesmo tempo, recoloca em evidência um debate que ele próprio ajudou a construir. O futuro da região passa pela capacidade de organização, participação popular e fortalecimento da representação política.
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