Condutores de veículos e moradores de Conselheiro Lafaiete enfrentam uma rotina marcada por improvisos e decisões questionáveis na condução do trânsito urbano. As instalações recentes de quebra-molas sem sinalização adequada, asfalto novo sem faixa de pedestre, pinturas velhas semiapagadas, somada a semáforos inoperantes e mudanças viárias mal planejadas, acendeu o alerta entre motoristas, pedestres e vereadores do município.
As mais recentes reclamações surgem após intervenções na Avenida Telésforo Cândido de Resende, onde condutores foram surpreendidos por redutores de velocidade recém-instalados, sem pintura ou placas de advertência. Relatos apontam sustos e perda de controle de veículos. Em um dos casos, um motorista quase sofreu acidente ao passar pelo trecho ainda de madrugada, sem qualquer visibilidade da alteração.
A situação não é isolada. Em outros pontos da cidade, medidas semelhantes já resultaram em ocorrências. Há registros de condutores que perderam o controle ao transpor quebra-molas não sinalizados, incluindo um caso no bairro São Sebastião em que um veículo atingiu um imóvel após o impacto.
A responsabilidade pelas intervenções recai sobre o Departamento Municipal de Trânsito (DMT) e mais diretamente o secretário de Defesa Social, Fábio José da Silva. As críticas se concentram na execução das ações sem planejamento prévio e na ausência de comunicação com a população.
Na Câmara Municipal, vereadores intensificaram as cobranças a partir de reclamações de moradores que chegam aos gabinetes.

Parlamentares relataram que mudanças recentes no trânsito não se sustentaram, sendo revistas após gerar transtornos. A crítica central aponta desperdício de recursos públicos com sinalizações refeitas e decisões revertidas em curto prazo; além de riscos de acidentes para motoristas e pedestres.
O vereador João Paulo Pé Quente foi mais direto ao cobrar a condução das mudanças. Segundo ele, as alterações em áreas próximas à Igreja Nossa Senhora da Luz na última semana transferiram fluxo intenso de veículos para dentro de bairros residenciais, como Cachoeirinha e Recanto dos Colibris, sem estrutura adequada para suportar o volume, incluindo circulação de ônibus.
Outros vereadores também relataram problemas críticos. Na região da ponte Maria Raimunda Pimenta, no Real Queluz, o trânsito se tornou um gargalo após a interdição de outra ponte de acesso ao bairro, por falta de segurança. O fluxo intenso, aliado à falta de organização viária, gera congestionamentos, manobras arriscadas e preocupação com a segurança de pedestres, especialmente crianças devido à proximidade de uma escola e um parquinho.

Moradores pedem medidas urgentes para melhor sinalização e organização do fluxo. A preocupação também se estende à estrutura da ponte, que não foi projetada para o volume atual de veículos.
Políticas eficazes de trânsito dependem de planejamento integrado, análise de impacto e participação da comunidade. A falta desses pilares transforma intervenções em soluções improvisadas, com efeito contrário ao esperado.
Enquanto isso, a população convive com um cenário de insegurança e incerteza. O trânsito de Conselheiro Lafaiete segue como um retrato de decisões fragmentadas, onde a execução atropela o planejamento e a pressa substitui a responsabilidade; enquanto isso, condutores desviam dos incontáveis buracos.
