A sessão desta terça-feira (24) na Câmara Municipal de Congonhas foi interrompida por falta de quórum. O encontro, previsto para as 9h, foi oficialmente cancelado após mais de uma hora de impasse, em meio à tentativa de abertura de um processo de cassação contra a vereadora Simônia Magalhães (PL).
Nos bastidores, o cenário foi de forte tensão política, marcado por gritaria, acusações e risco de confronto físico entre vereadores. Antes do início formal da sessão, parlamentares se reuniram em uma sala reservada. O que seria uma articulação política evoluiu rapidamente para um bate-boca generalizado. Relatos apontam troca de ofensas, elevação de tom e necessidade de contenção para evitar agressões.
O estopim da crise foi a condução do processo administrativo, que mira a vereadora por suposta falta de respeito a servidores do Legislativo. A iniciativa teria sido articulada pelo próprio presidente da Casa, vereador Averaldo Pereira (PL), o que aprofundou divisões internas e reacendeu disputas antigas entre os dois, que já carregam histórico de atritos desde gestões anteriores.

A sessão chegou a ser aberta com atraso e número mínimo de vereadores. Sem quórum suficiente, foi suspensa por 15 minutos. Com a chegada gradual dos parlamentares, a tensão aumentou. A vereadora Simônia apareceu no plenário fora do protocolo formal, em vestimenta informal, e passou a cobrar publicamente a votação do processo.
O ambiente se tornou ainda mais hostil. Testemunhas relatam gritos, interrupções constantes e um clima de confronto iminente. A discussão saiu da esfera institucional e ganhou contornos pessoais, evidenciando um racha no legislativo municipal.
Apesar de o presidente ter alegado problemas técnicos para justificar o cancelamento, a avaliação interna é de que a decisão buscou evitar a exposição pública do conflito ao vivo. A reunião ocorreu fora da transmissão oficial, mas com portas abertas, o que permitiu que o tumulto fosse visto e ouvido por quem estava presente.
A tentativa de instaurar uma comissão para dar início à tramitação da cassação acabou interrompida. Nos corredores, a leitura é de recuo estratégico diante do desgaste e do risco de agravamento da crise.
