O Ministério Público de Minas Gerais acendeu um alerta diante do avanço da violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. Em um período de um ano, Minas registrou 4.101 casos de estupro de vulnerável, envolvendo vítimas com menos de 14 anos. Em 235 ocorrências, o crime resultou em gravidez.
Os dados foram divulgados nesta semana, às vésperas do Dia Mundial da Infância, celebrado em 21 de março. O levantamento considera registros da Polícia Civil entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 e expõe um cenário de alta incidência e preocupação crescente.
Do total de casos, 97,27% foram consumados. Em mais da metade das ocorrências, 2.169 registros, o agressor pertence ao círculo familiar ou de confiança da vítima. Outros 227 episódios indicam algum tipo de relacionamento entre o autor e a criança ou adolescente.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, promotora Graciele de Rezende Almeida, destacou que os números revelam um padrão recorrente. Segundo ela, os abusos acontecem, em grande parte, dentro de ambientes que deveriam oferecer proteção e segurança.
As notificações ocorreram em 611 municípios mineiros, o que representa 71,6% do território estadual. Diante do cenário, o MPMG intensificou ações de enfrentamento. O levantamento foi encaminhado às coordenadorias regionais para subsidiar estratégias de prevenção e combate, em parceria com as redes municipais de proteção.
Os casos que resultaram em gravidez passam por análise individual nas promotorias, com foco na garantia de direitos e no fortalecimento do atendimento às vítimas.
A orientação é que qualquer suspeita seja comunicada imediatamente aos órgãos competentes, como Conselho Tutelar, Polícia, Ministério Público e serviços de saúde. A promotora ressalta a importância de evitar a revitimização durante o atendimento, priorizando escuta adequada e especializada.
A prevenção também passa pela informação. O diálogo dentro de casa e o acompanhamento nas escolas são apontados como medidas fundamentais para proteger crianças e adolescentes. Criar um ambiente de confiança pode facilitar a denúncia e interromper ciclos de violência.
Fonte e foto: MPMG
