A sessão da manhã desta terça-feira (17), na Câmara Municipal de Congonhas foi marcada por bate-boca entre parlamentares do mesmo partido, o PL. O embate direto entre os vereadores Igor Souza e o presidente da Casa, Averaldo Pica Pau, elevou o tom do debate e revelou tensão entre Legislativo e Executivo, além de divergências internas no próprio parlamento.
O confronto começou durante a discussão sobre o não cumprimento, por parte do Executivo, do prazo de até 15 dias para resposta a requerimentos, como determina a Lei Orgânica do município. Ao abordar o tema, Igor Souza adotou um discurso duro e carregado de indignação. Disse que o Legislativo estaria submisso ao Executivo e afirmou que a situação já havia sido denunciada publicamente por ele.

A fala caiu como uma faísca em ambiente já inflamado. Averaldo reagiu de imediato. Sustentou que a responsabilidade pela cobrança de respostas não é institucional, mas individual de cada vereador. Reforçou que a legislação é clara e não permite transferência de atribuições. Em seguida, rebateu diretamente a acusação de submissão.
O presidente negou qualquer postura de dependência da Câmara em relação ao Executivo. Disse que a atual legislatura segue outro caminho, com foco no interesse coletivo e não em pautas pessoais. Cobrou respeito à presidência e à condução dos trabalhos.

O clima ficou ainda mais tenso quando o debate saiu do campo técnico e avançou para o pessoal. Igor afirmou estar surpreso com a postura do presidente. Recordou momentos anteriores em que, segundo ele, houve alinhamento político diferente e relembrou episódios de sua gestão como presidente da Casa. Disse que se sentiu desrespeitado e pediu retratação.
Em resposta, o presidente advertiu sobre a ordem da sessão e chegou a ameaçar cortar o som do microfone caso continuasse interrompendo os trabalhos.
A independência entre os poderes é um dos pilares da administração pública e sua fragilidade costuma refletir diretamente na confiança da população.
A cena desta terça-feira não foi apenas um desentendimento pontual. Ela expôs uma disputa de narrativa sobre o papel da Câmara. De um lado, a crítica de submissão. Do outro, a defesa de autonomia e responsabilidade individual. O episódio já é considerado um dos mais tensos do ano no Legislativo de Congonhas.
