A suspensão do projeto “Tarcísio Ferreira – Um Anjinho no Céu”, que oferecia atendimento terapêutico gratuito a crianças e adolescentes com autismo em Conselheiro Lafaiete, abriu uma nova frente de discussão entre famílias dos assistidos, vereadores e o Poder Executivo. O caso ganhou força no plenário da Câmara Municipal, nesta terça-feira (10) e expôs questionamentos sobre a demora no repasse de R$ 180 mil destinados à iniciativa.
A polêmica envolve a Associação de Familiares e Autistas Unidos pelo Autismo em Lafaiete (AFAUPA). A entidade afirma que o recurso, oriundo de emenda parlamentar do deputado estadual Cristiano Silveira (PT), está depositado na conta da Prefeitura desde 2025. Mesmo após reuniões e entrega de documentos solicitados pela administração municipal, o valor ainda não teria sido transferido para garantir a continuidade do atendimento.
Segundo o município, quando uma emenda parlamentar é direcionada diretamente a uma associação específica, o repasse pode ocorrer de forma direta. No entanto, quando o recurso é encaminhado ao fundo municipal, como neste caso, a legislação exige a realização do chamamento público para definir qual entidade poderá executar a atividade.
Polêmica

Durante a sessão da Câmara, vereadores relataram a preocupação de mães que dependem do serviço. A vereadora Gina Costa destacou a importância social da associação e a urgência em garantir continuidade ao atendimento. Ela afirmou que recebeu familiares na Câmara Municipal e ouviu relatos emocionantes sobre os impactos positivos do projeto na rotina das crianças.
Segundo a parlamentar, o município informou que prepara um edital de chamamento público para formalizar o repasse dos recursos à entidade. Apesar da justificativa administrativa, a demora preocupa as famílias. “Cada dia de espera faz diferença para essas crianças”, afirmou a vereadora durante o debate.

O vereador Pedro Américo também criticou a paralisação da iniciativa. Ele afirmou que a emenda parlamentar foi viabilizada justamente para evitar a interrupção do atendimento. Segundo o parlamentar, mães relataram momentos de desespero após a notícia de que o projeto poderia ser encerrado.
A vereadora Damires Rinarlly, sugeriu a convocação do secretário municipal de Saúde, Danilo Barros para prestar esclarecimentos no plenário. A proposta ganhou apoio entre os vereadores e um requerimento foi aprovado para que o gestor explique o andamento do processo de repasse.
Já a líder do governo na Câmara, vereadora Simone do Carmo, defendeu maior diálogo entre Executivo e Legislativo e intermediou para que uma reunião fosse agendada para esta quarta-feira (11), às 13h30, com representantes da associação, técnicos da prefeitura e o secretário de Saúde para discutir o impasse e buscar uma solução.
Enquanto o impasse administrativo segue ainda sem solução definitiva, famílias e representantes da associação aguardam uma resposta concreta do poder público. Para muitas delas, o projeto não representa apenas um serviço social, mas um ponto de apoio essencial na luta diária por inclusão e dignidade.
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