Após mais de seis décadas sob comando da mesma família, três emissoras históricas de Conselheiro Lafaiete passam a ter novo proprietário. A venda das rádios (89,9 FM, 92,3 FM e 101,3 FM) foi confirmada nesta sexta-feira (06), durante entrevista concedida ao vivo à jornalista Gina Costa, no Jornal Falado Carijós, marcando o encerramento de um ciclo na comunicação local.
As rádios fazem parte do conjunto de veículos mais tradicionais da cidade e mantêm presença consolidada no dial regional, alcançando milhares de ouvintes em Lafaiete e municípios vizinhos.
A negociação foi conduzida ao longo de aproximadamente quatro a seis meses e envolveu uma série de contratos. O processo incluiu não apenas a transferência das concessões de radiodifusão da Organização Agostinho Campos Neto, mas também imóveis, equipamentos e estruturas administrativas ligadas às três emissoras.
Nova direção
A negociação contou com a intermediação do empresário local Kennedy Neiva e resultou na transferência do controle das emissoras para o empresário Felipe Leão. Ele assume agora a missão de conduzir o grupo em uma nova etapa.

Felipe afirmou que a responsabilidade é grande. Segundo ele, o objetivo é preservar a tradição construída ao longo das últimas décadas e, ao mesmo tempo, investir em modernização tecnológica e novos formatos de comunicação. A proposta é fortalecer o rádio como ferramenta de informação, entretenimento e prestação de serviço à comunidade.
O novo gestor também destacou que pretende manter a proximidade com os ouvintes e valorizar a história construída pelas emissoras. Para ele, assumir rádios com forte identidade regional representa mais do que um negócio. Trata-se de dar continuidade a um legado que acompanha gerações de moradores da cidade, inclusive da própria família.
Negociação
De acordo com Agostinho Rezende Campos, a decisão de vender as rádios foi tomada após a análise de diversas propostas recebidas ao longo do último ano. Algumas partiram de grupos empresariais de fora da cidade. A prioridade, porém, foi garantir que os veículos continuassem sob comando de pessoas com ligação com Lafaiete e comprometidas com a história da comunicação local.

Durante a entrevista, Agostinho explicou que havia preocupação em evitar que as emissoras fossem vendidas separadamente ou incorporadas por grupos externos sem vínculo com a cidade. A intenção sempre foi manter a operação unificada e preservar o papel comunitário que o rádio exerce na região.
Agostinho ainda rechaçou informações infundadas de que as empresas estejam passando por algum desiquilíbrio financeiro. O empresário atribuiu a venda ao desejo de concentrar em outros negócios próprios fora de Lafaiete. Lembrando o legado herdado do pai, Agostinho Campos Neto, diz sentir que o dever foi cumprido, no entanto é momento de seguir outros caminhos após décadas na radiodifusão. O fato de não ter herdeiros, contribuiu para que buscasse o investimento externo para que o conglomerado de comunicação permanecesse sob domínio de pessoas com raízes na cidade.
Cenário
A expectativa é que a nova gestão mantenha o vínculo histórico com a população e amplie o alcance das emissoras em um cenário de transformação da mídia.

A transição administrativa deve ocorrer de forma gradual nos próximos meses, período em que equipes e estruturas operacionais devem ser mantidas para assegurar continuidade na programação e estabilidade para ouvintes e anunciantes.
Não há ainda nenhuma informação sobre continuidade ou alteração na equipe de comunicadores e outros profissionais que fazem parte do quadro de funcionários.
