A tradicional Organização Agostinho Campos Neto, de Conselheiro Lafaiete, composta por três emissoras de rádio consideradas entre as mais influentes do interior de Minas, teve sua venda oficialmente anunciada nesta sexta feira (06), pelo atual proprietário Agostinho de Rezende Campos, durante o Jornal Falado Carijós, apresentado ao vivo pela jornalista Gina Costa.
O anúncio marca o fim de um ciclo que durou mais de seis décadas e o início de uma nova etapa para a comunicação local. A transação formaliza a transferência da concessão das três emissoras (89,9 FM, 92,3 FM e 101,3 FM.) e, demais bens patrimoniais envolvendo terrenos e prédios. A negociação foi intermediada pelo empresário Kennedy Neiva, que também participou do programa ao vivo, ao lado do investidor Filipe Leão, novo proprietário. As emissoras devem permanecer nos estúdios atuais até que todos os trâmites legais sejam concluídos.
Os novos proprietários anunciaram que investirão em reformulação da grade de programação e podem inclusive alterar parte da estrutura física e editorial das emissoras, sem ainda divulgar detalhes oficiais. O processo pode representar a transição de uma era marcada pelo rádio tradicional para modelos mais contemporâneos de mídia, sem, no entanto, perder a identidade regional construída ao longo de décadas.
História
Fundada em 1960 na frequência AM 1270, a rádio migrou para o FM 92,3 e se consolidou ao longo do tempo como um dos principais pilares da comunicação regional. Ao longo dos anos a voz que ecoava pelos microfones da Rádio Carijós influenciou decisões políticas e sociais em Lafaiete e em cidades vizinhas, movimentando debates públicos, campanhas eleitorais e pautas comunitárias. A emissora este presente em momentos importantes e históricos da cidade e região.
Além de plataforma de informação e entretenimento, a Rádio Carijós teve papel decisivo na projeção de lideranças locais e regionais. O empresário e comunicador Agostinho Campos Neto, figura histórica na estruturação do grupo de comunicação, chegou a ser eleito deputado estadual entre 1963 e 1971 com forte presença da emissora AM.
Filho de Campos Neto, Agostinho Rezende Campos mantém a tradição familiar à frente das emissoras até os dias de hoje. Sua trajetória se entrelaça com a própria história social de Lafaiete onde eventos cívicos culturais e debates sobre políticas públicas ganharam espaço nas ondas do rádio nas últimas décadas.
Nos bastidores políticos e da comunicação local o impacto da venda tem sido tema de conversas e especulações. Para muitos, o encerramento da gestão tradicional marca o término de um modelo de rádio comunitária e de influência direta nos rumos da cidade.
A expectativa é que, mesmo com a mudança de mãos, o conglomerado de comunicação continue conectada com a comunidade local e sirva como canal de voz para temas relevantes da sociedade, mantendo a tradição de referência em alcance e credibilidade na região.
Ao público geral e ouvintes das emissoras, resta esperar para saber quem ocupará os microfones dessa nova fase e como será a programação sob o comando do novo grupo empresarial.
