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Após incêndio camelôs buscam apoio para recomeço

20 de fevereiro de 2026
in Lafaiete
Após incêndio camelôs buscam apoio para recomeço

Fotos: Fato Real

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O cheiro de fumaça ainda paira sobre a Praça Getúlio Vargas enquanto vendedores contabilizam prejuízos e buscam alternativas para um recomeço, após o incêndio que atingiu o local no domingo de Carnaval (25).

No box vazio e com ferragens retorcidas,  Sônia Cristina dos Santos Oliveira tenta reorganizar o que restou de 32 anos de trabalho como camelô.

Oito boxes, que divididos chegam a 15, foram destruídos, queimando mercadorias e memórias de uma vida inteira dedicada ao comércio informal.

“Foi um vazio”, resume Sônia ao falar da sensação de ver sua barraca em chamas.  Ela havia fechado a banca no domingo por volta de 13h15. Uma hora depois, recebeu a informação do incêndio. Ao retornar, encontrou labaredas altas e pouco apoio inicial. Segundo ela, o primeiro carro do Corpo de Bombeiros não tinha água. “Se tivesse chegado mais rápido, salvaríamos muita coisa”, afirma.

Mochilas, controles, meias, correias de chinelo e vitrines viraram cinza. “Tinha mais de R$ 20 mil em mercadoria. Em um ano eu não consigo repor isso”, diz. O estoque completo ficava dentro do box, que funcionava como uma pequena loja.

A dor vai além do financeiro. Sônia relembra que perdeu a mãe após um incêndio semelhante, há nove anos. “Minha vida é aqui. Foi aqui que criei meus filhos e realizei meus sonhos”, conta, emocionada. Mesmo sem banca, ela voltou à praça na Quarta-feira de Cinzas. “Minha vida está aqui. Aqui é uma família”.

A comerciante acredita que o incêndio pode ter sido criminoso. Ela relata falta de segurança, furtos recorrentes e episódios de vandalismo na área. Ao mesmo tempo, pede que a população não julgue os rapazes que jogaram água nas chamas de cima do viaduto.  “Eles estavam tentando ajudar. Ninguém jogou gasolina”.

Os camelôs aguardam apoio do poder público para recomeçar. Segundo Sônia, há promessa de auxílio emergencial e reconstrução das bancas. “A gente precisa se sentir amparado. Só de ouvir que vão ajudar, já dá força”.

Enquanto a limpeza avança, os trabalhadores esperam uma reunião com o prefeito Leandro Chagas para discutir medidas concretas. O encontro foi mediado por Gina Costa, vereadora e jornalista da rádio Carijós, localizada ao lado do camelódromo.  “São nossos vizinhos.  Passo aqui há muitos anos. Às 6h da manhã já encontro camelôs começando a montar barracas.  Trabalham muito. Merecem meu respeito e meu apoio”, diz.

Leia mais: Incêndio atinge camelódromo em Lafaiete e destrói lojas

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