Conselheiro Lafaiete viveu mais um Carnaval sem programação oficial organizada pela Prefeitura. “Quem é de Lafaiete levanta a mão” era a deixa para que grande parte do público erguesse os braços mostrando a origem dos foliões em municípios da região.
A LECAL (Liga das entidades Carnavalescas de Lafaiete) surgiu como um elo entre o Poder Público e blocos, mas é preciso mais que só a vontade e resistência dos que gostam da maior festa popular do país. O apoio da prefeitura veio por meio de estruturas oferecidas, como palco, som, banheiro e outros. Mas precisava de mais.
O Bloco do Pijama, o Tradição do Rosário, Blocos Os Mascarados, Unidos do Guarany, Unidos do Independente, Bloco do Bené e outras iniciativas comunitárias reuniram foliões, mantiveram a festa viva e demonstraram que o lafaietense gosta de Carnaval. E as crianças? Elas ficaram mais uma vez sem opção.
Além da dimensão cultural, é preciso analisar o impacto econômico do Carnaval. Salões de beleza, Lojas, bares, restaurantes, hotéis, ambulantes e prestadores de serviço deixam de faturar quando a festa deixa de acontecer. O dinheiro que poderia circular na cidade foi gasto em municípios vizinhos. O Carnaval é uma cadeia produtiva, que gera emprego temporário, renda e visibilidade turística. Cidades que se tornam destino de foliões em massa, também já tiveram seus dias de inicio, de investimento, de pequenos blocos; mas insistiram e descobriram a vocação de suas festas populares.

O financiamento de festas como o Carnaval ocorre com rubricas específicas, com possibilidade de parcerias, emendas e patrocínios. O orçamento da cultura não concorre diretamente com áreas essenciais, como saúde e infraestrutura. Por tanto não é verdadeiro que tiram dinheiro da saúde para fazer Carnaval. O argumento da violência também divide opiniões. Cidades com planejamento, policiamento e infraestrutura adequada mostram que é possível realizar eventos populares com segurança.

A Prefeitura afirma que pretende estruturar o Carnaval de 2027 e que o pré-Carnaval, que foi a aposta de 2026 seria uma estratégia inicial. A expectativa agora é por planejamento real, transparência, diálogo com blocos, escolas de samba, artistas e produtores culturais.
Lafaiete já teve um dos carnavais mais tradicionais da região. Recuperar a festa exige decisão política, investimento público e participação da sociedade civil e iniciativa privada. Fazer o Carnaval é difícil. Fácil mesmo é dizer que a cidade não gosta de Carnaval.
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