QUELUZITO – Dois episódios recentes de violência contra animais chocaram o país e reacenderam o debate sobre crueldade, responsabilidade coletiva e atuação do poder público. Um dos casos ocorreu em Santa Catarina e ganhou repercussão nacional. O outro aconteceu em Queluzito, mais próximo da realidade local.
Uma cadela mestiça de pitbull foi encontrada abandonada em uma estrada rural de Queluzito em (14/01) e recolhida por funcionários da prefeitura. Ela passou por cirurgia de castração e chamou a atenção dos veterinários pela docilidade durante o atendimento. Sem vagas em abrigos municipais, superlotados pelo abandono constante, um morador se ofereceu para cuidar temporariamente do animal, que permaneceu na rua em frente à residência. O fato de ser mestiça de pitbull gerou receio em parte da população.
A situação se agravou após um homem alegar ter sido avançado pela cadela. Não houve registro de mordidas ou ferimentos. Mesmo assim, ele e outro indivíduo teriam agredido o animal. A Polícia Militar foi acionada e encontrou a cadela debilitada. Apesar dos pedidos para que aguardassem a chegada do cuidador, que buscaria atendimento veterinário, a cadela foi alvejada por um disparo efetuado por um policial. A cadela morreu no local.
Para a ativista e veterinária Carla Sassi, os dois casos estão conectados por falhas estruturais. “A violência contra animais não acontece isoladamente. Ela reflete abandono, ausência de políticas públicas, preconceito e a banalização da vida. Quando a sociedade silencia, ela se torna parte do problema”, alertou.
Carla Sassi, avalia que o episódio revela problemas sociais profundos. “Não é irresponsabilidade alimentar ou cuidar desses animais. Enquanto não tivermos lares para todos, essa é uma realidade que precisa ser protegida”, afirmou.
Os episódios reforçam a urgência de responsabilização e prevenção. Denúncias de maus-tratos devem ser feitas às autoridades competentes.
