A quarta-feira (21) foi marcada por insatisfações, reclamações e registros em vídeo e áudio de pessoas que aguardavam por atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Lafaiete. Pacientes relataram longa espera, ausência de informações claras e atendimento restrito, segundo denúncias, à troca de receitas, enquanto pessoas doentes aguardavam sem previsão de consulta médica. A UPA é porta de entrada para atendimentos de urgência e emergência, e o correto funcionamento do fluxo, aliado à comunicação transparente com os usuários, é fundamental para garantir segurança e dignidade à população.

Desde o início da tarde, usuários afirmaram permanecer em torno de 3h na unidade sem serem chamados. Um dos relatos recebidos pela reportagem aponta que a espera ultrapassou horas. “Estou aqui desde duas da tarde e ninguém foi chamado até agora. Só fizeram a triagem”, disse um paciente em vídeo gravado no local após as 16h.
Só para receitas
Outra denúncia chama atenção pela gravidade. Um homem relatou dor intensa no peito e ausência total de esclarecimentos por parte da equipe. “Estou sentindo uma dor muito forte no peito e ninguém me informa nada. Disseram que a ordem é atender primeiro quem veio trocar receita”, afirmou em vídeo direcionado à jornalista e vereadora Gina Costa. Segundo ele, pessoas em situação de risco estariam aguardando enquanto atendimentos enquanto outros estavam sendo atendidos para troca de receitas.
As reclamações não se restringem a um caso isolado. Áudios enviados à reportagem do Fato Real indicam que diversos pacientes enfrentaram o mesmo cenário, com falta de comunicação e incerteza sobre a ordem de atendimento. “Pergunta para um, pergunta para outro, ninguém fala nada. Tem gente aqui há mais tempo do que a gente, sem resposta nenhuma”, relataram.

Há ainda registros de pacientes que desistiram de aguardar atendimento. Em outro relato, um paciente afirma estar urinando sangue e não ter conseguido atendimento em tempo de maneira ágil.
Diante do aumento expressivo das reclamações, a reportagem do Fato Real procurou a Secretaria Municipal de Saúde para um pronunciamento oficial sobre as denúncias.
Resposta da secretaria
A Secretaria Municipal de Saúde de Conselheiro Lafaiete afirmou que mantém acompanhamento permanente do funcionamento da UPA, com foco na qualidade da assistência, no acolhimento da população e no cumprimento rigoroso dos protocolos clínicos estabelecidos para os atendimentos de urgência e emergência. A Secretaria afirmou que não procede a afirmação de que médicos estariam realizando atendimentos exclusivamente para troca de receitas. “O fluxo assistencial da UPA segue critérios técnicos bem definidos, priorizando casos de maior gravidade, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A renovação de receitas, quando necessária, ocorre somente após avaliação médica individual e a devida indicação, não sendo esta a finalidade do serviço do nosso pronto atendimento”, diz a nota enviada a nossa redação..
Demanda
A Secretaria reconhece que, em períodos de maior demanda, como é o caso desta semana, com uma média de mais de 500 atendimentos por dia, pode haver aumento no tempo de espera, motivo pelo qual a gestão juntamente com o consórcio ICISMEP, segue monitorando de forma contínua os indicadores assistenciais em tempo real através do sistema SIDIM, as escalas médicas e os fluxos de atendimento, adotando medidas para garantir mais eficiência, resolutividade e humanização. Salienta que os casos pontuais desconformes, estão sendo tratados internamente.
