Minas Gerais entrou, de forma inédita, na corrida espacial. Na madrugada desta segunda-feira (12), foi lançado o UaiSat, o primeiro satélite totalmente desenvolvido em solo mineiro. O equipamento integrou a missão MGSAT-1 e seguiu ao espaço a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, na Índia, a bordo do foguete PSLV-C62, da Agência Espacial Indiana (ISRO).
A decolagem ocorreu às 10h17 no horário local, 1h47 em Brasília, e simbolizou um marco para a ciência, a inovação e a tecnologia produzidas em Minas. O lançamento foi acompanhado no Brasil pela Uai Soluções e Integração, startup incubada no Ouro Hub, do IFMG Campus Ouro Branco, que participou diretamente do desenvolvimento do satélite.
Apesar do sucesso na decolagem, a missão não foi concluída conforme o planejado. Cerca de dez minutos após o lançamento, o foguete retornou à atmosfera, o que impediu a inserção do UaiSat em órbita. O nanossatélite deveria operar por até quatro anos a uma altitude de 511 quilômetros. Segundo a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), o foguete chegou a aproximadamente 370 quilômetros, ficando próximo da órbita prevista.
Mesmo assim, o saldo é considerado positivo. Para o líder da missão, João Pedro Polito, o projeto representa um avanço concreto. “Em dois anos conseguimos desenvolver, lançar e levar nosso satélite ao espaço. A estação de rastreio está pronta e vamos operar com outros satélites”, afirmou. Ele destaca que o grupo já projeta novos lançamentos e pretende colocar 12 satélites em órbita nos próximos três anos. O próximo, o Profeta 1, está previsto até o fim de 2026.
O UaiSat entra para a história como o primeiro PocketQube desenvolvido por uma universidade brasileira. Com apenas 5 centímetros por 5 centímetros, o nanossatélite foi criado no Laboratório Integrado de Sistemas Espaciais (LISE), da UFSJ, no Campus Alto Paraopeba. O projeto reúne pesquisa científica, inovação e aplicações práticas, com potencial impacto econômico.
A equipe é formada pelos professores Marcos Kakitani e Moacir Souza, do curso de Engenharia de Telecomunicações, além de pesquisadores e estudantes da instituição. A missão MGSAT-1 conecta universidade e setor produtivo. Entre os objetivos estão o apoio ao agronegócio, o monitoramento climático, com estudos sobre raios e tempestades em parceria com o INPE, e a validação de hardware e software em ambiente espacial.
Mesmo sem alcançar a órbita, o UaiSat consolida Minas Gerais no mapa da inovação espacial brasileira e abre caminho para novos projetos desenvolvidos no estado.
