Um levantamento nacional da Confederação Nacional de Municípios revela um cenário fiscal desafiador para as prefeituras brasileiras no fechamento do exercício financeiro. O estudo, que ouviu 4.172 municípios, cerca de 75% do total do país, aponta dificuldades para manter as contas em dia, pagar fornecedores e honrar compromissos básicos, como o 13º salário dos servidores.
Os dados mostram que quase 30% das prefeituras encerram o ano com atrasos no pagamento de fornecedores. Outras 31% admitem deixar despesas empenhadas para o exercício seguinte, os chamados restos a pagar. Mesmo após um período de ajustes e contenção de gastos, o risco de crise financeira segue como a maior preocupação dos gestores locais, citada por aproximadamente 80% dos entrevistados.
Apesar das dificuldades, a maioria dos municípios conseguiu fechar o ano dentro da normalidade fiscal. Menos de 20% avaliam que não conseguirão encerrar o exercício de forma regular. O resultado reflete esforço de planejamento, corte de despesas e priorização da folha de pagamento e dos serviços essenciais.
Em Minas Gerais, o estudo evidencia a relevância do adicional de 1% do Fundo de Participação dos Municípios, repassado tradicionalmente em dezembro. Segundo a pesquisa, quase 96% das prefeituras mineiras afirmam que o recurso foi determinante para garantir o pagamento do 13º salário. A ampla maioria também conseguiu manter os salários em dia, mesmo em um ambiente de forte restrição orçamentária.
O diagnóstico também revela incertezas para 2026. Embora 44,6% dos gestores avaliem que a economia pode ter desempenho bom ou muito bom, 35,8% demonstram pessimismo. O quadro reflete preocupação com o ambiente fiscal, a instabilidade política e o impacto das decisões nacionais sobre as finanças locais.
Mesmo assim, pesquisas indicam que os prefeitos seguem como os gestores mais cobrados e, ao mesmo tempo, os mais bem avaliados pela população. Diante desse cenário, a defesa de um pacto federativo mais justo volta ao centro do debate. Para a AMM, fortalecer os municípios é essencial para garantir serviços públicos contínuos, eficientes e próximos da realidade das pessoas.
