Toda a população lafaietense foi surpreendida recentemente com a supressão de cerca de 30 árvores da rua Marechal Floriano. Árvores frutíferas, de flores, de folhas, jovens ou antigas – não parece ter havido seleção: todas foram cortadas por igual.
Obviamente, não se pode ignorar o perigo que uma delas estava representando quando, durante temporal com ventos, teve galhos derrubados causando risco para a fiação e para a população. O que deveria ser feito com esse espécimen em questão?
Sendo a responsabilidade do cuidado com a saúde das árvores da prefeitura, deveria ter sido chamado um profissional (biólogo ou outro responsável) para analisar o caso atual e decidir: poda de galhos? Supressão total do indivíduo por apresentar risco de queda?
Mas o que se viu foi: um problema pontual (queda de galhos de uma árvore) e uma ação radical – corte total da arborização, que garantia sombra e conforto térmico, de toda uma rua. A população não foi consultada e, até o momento, não foram apresentados laudos técnicos ou projeto de urbanização/arborização posterior eficiente que efetivamente justifique e substitua o que foi retirado. Em tempos de mudanças climáticas em que todos temos enfrentado picos de temperaturas altíssimas isso parece bem descabido.
Outra coisa que me impactou bastante também foi a total ausência de consulta ao Codema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), segundo seu vice-presidente, Ricardo Rocha. É óbvio que o conselho não tem o poder de determinar o corte ou não de árvores, mas, como todos os conselhos, ele representa a participação e fiscalização social nas decisões da administração pública.
Mais um dado relevante: supostamente havia um ipê entre as árvores suprimidas, árvore símbolo de Minas Gerais, cujo corte é controlado por leis específicas. Havendo mesmo a tal árvore, a legislação foi seguida para sua supressão?
É claro que todos queremos que medidas sejam tomadas caso alguma árvore represente perigo para a população porque corre risco de queda. Só que isso não significa tomar ações radicais sem um planejamento específico para a reestruturação do espaço – e, especialmente, sem saber a opinião dos moradores, aqueles que serão e, no caso, estão sendo, diretamente impactados pela decisão.
E mais: pergunto. Se a questão é mesmo estética, com um novo planejamento urbanístico, a MRS foi consultada para saber a possibilidade de reformar os muros? Ou esses muros, bem danificados em certos pontos, também serão reformados pela prefeitura? Ou a estética deles não importa?
Ou a questão mesmo foi só cortar as árvores e acabar com o “incômodo” de ter que se responsabilizar pelos cuidados e fiscalização delas para acompanhar seu estado de saúde e segurança para o entorno?
O Ministério Público, chamado a opinar, recomendou a suspensão temporária dos cortes para maior análise. Acho um absurdo o MP ter que ser chamado para falar o óbvio.
Nesses tempos de modernidade, chegamos ao ponto de ter que lembrar que a vida não é um videogame: árvores não crescem na velocidade do The Sims para recomporem rapidamente a paisagem. Levam anos.
Olha eu aqui, assim como o MP, falando o óbvio.
Profa. Érica
@ProfaEricaCl
