A supressão de árvores na rua Marechal Floriano Peixoto, em Conselheiro Lafaiete, reacendeu o debate sobre planejamento urbano, transparência e respeito ao meio ambiente. Desde o início da semana, moradores acompanham a retirada quase total da arborização da via, ação conduzida pela Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Obras e Meio Ambiente.
A justificativa aponta riscos à segurança. Segundo a administração, quedas recentes de árvores teriam motivado o corte pela inadequação das espécies ao espaço urbano. A decisão, porém, provocou forte reação popular. Moradores relatam tristeza, indignação e sensação de perda. A rua, antes marcada por sombra, passou a ser descrita como um futuro corredor de cimento. Corredores e pedestres afirmam que as árvores eram fundamentais para o conforto térmico, especialmente em um trecho exposto ao sol durante a maior parte do dia.
As críticas também recaem sobre a condução do processo. Ambientalista e integrante do CODEMA – Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, Ricardo Rocha, o Pardal, ouvido pelo Fato Real, afirmam o órgão não foi consultado prévia nem houve debate público. Ainda que alguma árvore estivesse “condenada” ou evidenciando risco há população, existem questionamentos sobre o corte daquelas consideradas saudáveis, incluindo exemplares de valor ambiental e paisagístico reconhecido pela própria comunidade.
O Ministério Público já foi provocado e acompanha o caso. O promotor de Justiça, Glauco Peregrino falou sobre o corte das árvores na Marechal Floriano. “Fizemos uma recomendação à Prefeitura para que suspenda imediatamente esses cortes, até que demonstrem a legalidade dessas medidas que estão sendo efetuadas. São árvores de grande porte, e é preciso então que haja uma comprovação por parte do Poder Público Municipal da necessidade do corte e da obtenção das licenças cabíveis. Nós fizemos a recomendação de suspensão e requisitamos à Prefeitura que nos passe as informações para que a gente possa avaliar a situação”, afirmou.
Outro ponto sensível é a promessa de compensação. A Prefeitura afirma que um novo projeto paisagístico será implantado, com espécies de menor porte e mais adequadas à infraestrutura urbana. Para parte da população, o argumento é frágil. Árvores adultas não se substituem em curto prazo. A perda é imediata. O benefício futuro é incerto.
A polêmica expõe uma fragilidade recorrente na gestão urbana. Falta diálogo. Falta planejamento de longo prazo. Medidas rápidas para responder a problemas pontuais acabam gerando impactos permanentes. Árvores cortadas não retornam. A cidade perde sombra, biodiversidade e qualidade de vida. O episódio da Marechal Floriano vai além de uma obra. Ele revela o conflito entre obras visíveis e políticas sustentáveis. Entre decisões técnicas concentradas e participação social. A população cobra respostas, documentos, laudos e, sobretudo, respeito. O debate está posto. E a cidade observa.
