A eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete na próxima quinta-feira, 11 de dezembro de 2025 em sessão ás 14h, carrega um peso histórico. A representatividade feminina demonstra otimismo em ver uma mulher assumir a cadeira da presidência. Uma votação que pode romper um silêncio de mais de duzentos anos. A esperança ganha novos tons pela importância numérica. Pela primeira vez, são quatro mulheres vereadoras, contrapondo um passado recente em que nas legislaturas apenas uma lutava para galgar o posto.
Nos bastidores a disputa é grande. Conversas rápidas nos corredores, portas que se fecham depressa, acordos soprados ao pé do ouvido e reuniões externas revelam um jogo político intenso. A saída do atual presidente da cadeira principal do Legislativo é dada como certa, uma vez que o nome de Erivelton Jayme figura como pré-candidato a deputado estadual, missão que demandaria mais tempo em 2026, conflitando com o cargo de presidente.
O momento, no entanto, expõe compromissos antigos e a disputa de forças que há décadas molda o poder local. O nome de João Paulo “Pé Quente” é apontado como um curinga da ala masculina. Já tendo ocupado a presidência, é avaliado como um articulador experiente e que consegue ter à sua volta colegas que numericamente podem levar à manutenção do comando masculino na Casa Legislativa. Outros nomes não estão descartados como Professor Oswaldo e Fernando Bandeira, que também já presidiram a Casa. E Pastor Angelino, que também manifesta interesse no cargo.
A corrida mistura expectativa e desconfiança. Há quem lembre que promessas firmadas no aperto de mão já foram quebradas no último minuto em eleições anteriores; que palavras empenhadas muitas vezes viram poeira na véspera da votação.
Mulheres
No centro desse tabuleiro estão quatro vereadoras que tentam, com esforço redobrado e união que vai além de questões partidárias, consolidar um compromisso coletivo em torno da representatividade feminina, numa campanha pró-mulher na presidência Entre elas, dois nomes despontam como principais concorrentes: Gina Costa e Cida Toledo. Ambas com compromisso de manter a pauta em comum com as demais colegas.
“A minha candidatura parte do entendimento de que precisamos de fazer valer a voz feminina na Política , porque além de nos dar visibilidade, é uma forma de estimular as mulheres numa participação maior na Política! Entendo que isso não se trata de mostrar mais força, mas sim de provar que também temos competência para assumirmos uma posição extremamente importante! Outra situação no meu ver, parte da necessidade de aproximação da sociedade com o Legislativo, através de bons Projetos, que irão enriquecer, aprimorar a assistência que é dada à população como por exemplo termos serviços do CAC mais ampliados, uma Escola do Legislativo mais inclusiva! Sei que os desafios serão ainda maiores, mas, com fé, determinação e amor ao trabalho, eles serão vencidos”, diz Cida.
Por outro lado, Gina Costa uma voz que ecoa das ruas, vem recebendo de lideranças populares o clamor pela luta para chegar à presidência. Representa quem vive a cidade no cotidiano e defende uma política mais aberta, transparente e inclusiva. “Este é o momento. O movimento que vem das ruas e que estamos vivendo nestes dias mostra o quão importante é ter mulheres em espaços e cargos de poder. Não podemos perder o trem da história. Pela primeira vez há chances reais disso acontecer. E pra isso precisamos do voto masculino”.
O risco de divisão feminina, porém, assombra o processo. Se a disputa se acirrar sem convergência, abre-se caminho para que um nome masculino retome o controle da Mesa Diretora, repetindo o roteiro de sempre. A cidade observa e sabe que essa eleição diz mais do que quem vai sentar na cadeira da presidência.
Mobilização
A quinta-feira promete ser decisiva. O plenário deve receber forte presença feminina. Mulheres de diferentes bairros, profissões e movimentos foram convidadas a acompanhar a votação e fortalecer a representatividade no espaço simbólico da política municipal. “A presença feminina, neste momento, não é um detalhe. É um ato político”, diz o convite.
A política, como sempre, mantém seu véu de mistério até os últimos instantes. Independentemente do resultado, a cidade já vive um marco. O protagonismo das vereadoras colocou uma luz sobre a desigualdade histórica de gênero na política local. Lafaiete respira expectativa e tensão. O desfecho dessa disputa pode não apenas escrever um novo capítulo, mas também definir quem terá voz na condução das decisões que impactam toda a população.
