Um fim de semana marcado pelo mau cheiro, sacos amontoados e a ansiedade de moradores que aguardam a passagem do caminhão de lixo. Nos bairros Carijós, Cristo Rei, São Dimas, Santa Cruz, São Sebastião e Cachoeira, a cena se repetiu. Ruas tomadas por resíduos, animais rasgando sacos abertos e a sensação de abandono em pleno período chuvoso.
A comunidade expôs a situação em mensagens que revelam o clima nas ruas. “Se chover estamos lascados”, lamentou uma moradora do São Dimas. “Cristo lotado de lixo, transbordando”, registrou um morador na manhã de segunda-feira. Em outra ponta da cidade, uma residente flagrou pelas câmeras um motorista de empresa privada despejando cinco sacos de lixo na porta de sua casa. “A que ponto chegamos”, desabafou.
O cenário se intensifica no momento em que o contrato com a Mega Serviços, responsável pela coleta, se aproxima do fim. Encerramento previsto para a próxima-quinta, 11. A Prefeitura abriu novo processo licitatório para serviços de limpeza urbana. O edital prevê capina, roçagem, varrição manual, remoção de entulhos, poda de árvores e coleta de resíduos em toda a cidade, incluindo povoados e zonas rurais. O período de envio das propostas segue até esta terça-feira, 09 quando ocorre a abertura dos envelopes.
Para impedir o colapso do serviço, o município formalizou contratação emergencial da empresa Localix Soluções Ambientais. A medida foi oficializada pela Dispensa 028/2025, Processo 170/2025, conforme a Lei Federal 14133. O contrato, no valor de 7,6 milhões, garante atendimento em vias públicas e regiões rurais, buscando amenizar o impacto imediato do acúmulo de resíduos.
Nas ruas, porém, a urgência fala mais alto. O odor mistura-se ao calor abafado de dezembro. O lixo aberto se transforma em ameaça real quando a chuva se aproxima e a população teme alagamentos, doenças e sujeira ainda maior. Enquanto isso, caminhões de apoio tentam alcançar os bairros mais afetados. Lafaiete vive dias de transição. Moradores esperam que a mudança na prestação do serviço finalmente traga regularidade e respeito ao cotidiano de quem convive diariamente com o peso da má gestão dos resíduos.
