A Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) se prepara entender melhor o dia-a-dia vivido pelos operadores de call center dos serviços essenciais de emergência no estado. Marcada para esta quinta-feira, 04 às 14h30, no Plenarinho I do Palácio da Inconfidência, a audiência pública promete ser um eco amplificado das jornadas exaustivas, dos salários apertados e do assédio moral que sufocam esses profissionais.
Eles são a primeira linha de socorro de Minas. São as vozes que, no fio da tensão, recebem o grito de ajuda de quem disca 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil) e 193 (Bombeiros). Contratados pela Minas Gerais Administração e Serviços (MGS) para atuar na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), esses trabalhadores têm denunciado um cenário de precariedade insustentável.
O pedido para a audiência partiu do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações do Estado (Sinttel-MG), que tem denunciado a sobrecarga de trabalho impulsionada pela falta de pessoal. O diretor do sindicato, Josenildo Marin, usou as redes sociais para descrever o quadro preocupante. Não é apenas cansaço físico; é o adoecimento mental que se instala quando a pressão por atender vidas se choca com a sensação de estar à beira do esgotamento. “Os trabalhadores estão cansados, muitas vezes se medicando para que possam trabalhar”, afirma o sindicalista.
O deputado Betão (PT), presidente da comissão, é taxativo ao afirmar que a invisibilidade desses profissionais precisa ter um fim. A categoria relata um ciclo vicioso de dor: jornadas que se arrastam, a frustração de baixa remuneração por um serviço de tamanha responsabilidade, e a sombra opressora do assédio moral pairando sobre os postos de atendimento.
A expectativa é de que a audiência traga um raio-x das condições. Já têm presença confirmada representantes da MGS e o superintendente do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Calazans, indicando que o debate promete ser multifacetado e buscar soluções concretas para o alívio imediato e a valorização perene desses heróis anônimos do telefone.
