A espera pela cirurgia de Antônio Liberato Barbosa Filho, morador de Conselheiro Lafaiete, expõe o impacto direto da baixa nos estoques de sangue. Conhecido como Tonho, ele enfrenta a volta de um tumor no intestino, detectado novamente este ano, no mesmo local e tamanho do registrado em 2021.
Após exames, preparo pré-operatório e risco cirúrgico aprovados, a cirurgia estava marcada para 16 de novembro no Hospital São Francisco de Assis, em Belo Horizonte. Na véspera, a família recebeu a notícia amarga do cancelamento. Motivo apontado pela equipe médica: falta de sangue O positivo, tipo de Tonho, um dos mais críticos no estado.
A nova data, 25 de novembro, reacendeu a esperança. A filha, Janaína, levou o pai de carro até a capital. A esposa, Fátima, seguiu de ônibus para acompanhá-los. A cena que encontrou ao chegar ao hospital deixou a família desolada. Tonho já estava dentro do carro, voltando para casa. O motivo era o mesmo. Não havia bolsas suficientes para garantir a segurança da cirurgia.
Tonho passou por todo o preparo novamente. Jejum prolongado. Medicações. Procedimentos. A tensão no corpo e o medo silencioso a cada etapa. Tudo cancelado no último momento. Em casa, a dor não dá trégua. Ele utiliza paracetamol com codeína e tramadol. Fátima descreve noites difíceis e o cansaço emocional. A família não ficou parada. Mobilizou doadores em Lafaiete, Congonhas e Belo Horizonte. Três voluntários chegaram a doar na capital. Outros se dispuseram a ajudar. Mesmo assim, a cirurgia segue indefinida.
A Fundação Hemominas confirma que tipos O positivo e O negativo estão em situação crítica. Em períodos mais secos, a hidratação insuficiente tem aumentado o número de doadores inaptos no dia da coleta. A instituição reforça que manter estoques estratégicos é vital para cirurgias, emergências e atendimentos contínuos. Fátima faz um apelo sentido. Ela afirma que muitas pessoas podem doar, mas não percebem o quanto isso pode salvar vidas. A voz dela carrega urgência, mas também esperança.
Para doar, é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 kg, estar em boas condições de saúde e apresentar documento oficial. O agendamento pode ser feito on-line ou pelo MG App-Cidadão.
O caso de Tonho reflete a realidade de muitos mineiros. A doação de sangue é rápida, segura e transforma vidas. Para ele, cada bolsa representa mais que solidariedade. Representa a chance real de seguir vivendo.
Com colaboração de Ana Luisa Lobo.
