O deputado estadual Leleco Pimentel (PT) protocolou nesta quarta-feira (24/09) um ofício na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. O parlamentar cobra providências imediatas após seu nome aparecer em uma lista de pessoas supostamente ameaçadas por uma organização criminosa envolvida na mineração ilegal na Serra do Botafogo.
Segundo ele, os nomes que constam no documento coincidem com os convidados da audiência pública realizada recentemente para debater os impactos da mineração na região. A coincidência levanta suspeitas de retaliação política e de monitoramento contra quem se posiciona em defesa da preservação ambiental.
A denúncia vem na esteira do esquema investigado pela Operação Rejeito, que apura crimes ambientais, corrupção e liberação irregular de licenças para exploração mineral em Minas Gerais. A operação já levou à prisão de 22 pessoas, bloqueou mais de R$ 1,5 bilhão em bens e afastou agentes públicos suspeitos de facilitar atividades ilegais no setor mineral.
Invasão de celular
O parlamentar também afirma que seu celular foi grampeado desde 10 de agosto. Ele relata que um invasor teria acessado WhatsApp, câmera e microfone de forma remota, além de comprometer aplicativos bancários, como o da Caixa. A alegação ainda não foi confirmada por perícia oficial, mas reforça o clima de insegurança no qual o parlamentar e sua equipe estão submetidos.
No ofício entregue à Polícia Federal, o deputado solicita a abertura de inquérito específico, medidas de proteção e investigação imediata sobre as ameaças. O documento menciona ainda o registro feito na Polícia Legislativa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Reação política
Ao deixar a sede da PF, Leleco Pimentel reafirmou que não irá recuar diante das ameaças. Ele destacou que sua atuação contra a mineração predatória segue como compromisso de mandato, em conjunto com o deputado federal Padre João, pelo projeto Juntos Para Servir.
“Mesmo diante dessas formas de intimidação, seguimos firmes no combate à mineração predatória que destrói, degrada e mata”, declarou. A denúncia recoloca em evidência o embate entre interesses econômicos e a defesa do patrimônio ambiental e humano de Minas Gerais.
