Dezenas de pessoas lotaram o plenário da Câmara Municipal de Congonhas para acompanhar a audiência pública que discutiu, nesta terça-feira (26/08), os projetos de expansão da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) nas regiões de Santa Quitéria e do Esmeril. A reunião, contou com a presença da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) e se estendeu por mais de quatro horas.
O encontro começou com a apresentação de um diagnóstico sobre a poluição do ar na cidade, elaborado pela UFMG em parceria com outras seis universidades, a partir de convênio firmado com a Prefeitura. O estudo revelou altos índices de micropartículas na atmosfera, invisíveis a olho nu, mas capazes de causar sérios riscos à saúde.
Segundo a professora Taciana Toledo, coordenadora da pesquisa, as concentrações registradas em Congonhas ultrapassam os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em diferentes pontos do município, com destaque para os bairros Jardim Profeta, Pires e o distrito de Lobo Leite. Além disso, o levantamento apontou elevada presença de ozônio em Lobo Leite, outro poluente prejudicial à saúde e ao clima.
Na sequência, o diretor de Investimentos da CSN, Otto Levy, apresentou dados sobre os planos de expansão da mineradora, considerados estratégicos para manter a atual capacidade de operação diante da exploração do itabirito, minério de menor teor de ferro. O executivo ressaltou o compromisso da empresa com a criação de cinturões verdes e com a descaracterização de barragens.

Em relação à área de Santa Quitéria, a mineradora exibiu um vídeo institucional que justificou a escolha da região por critérios técnicos, alegando ser a opção de menor impacto socioambiental entre três alternativas analisadas. Segundo a CSN, dos 30 imóveis localizados dentro da área declarada de utilidade pública pelo Governo do Estado, 27 já foram adquiridos de forma amigável.
A versão da empresa, entretanto, foi contestada por moradores e representantes da sociedade civil presentes na audiência. Eles relataram insegurança, questionaram as desapropriações e cobraram mais clareza sobre os impactos da expansão.
Durante a audiência, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) destacou que a CSN não trouxe informações essenciais que a cidade tem o direito de conhecer. “Era dever da empresa apresentar à população dados claros sobre os impactos, e isso não aconteceu. Defendo que essas discussões continuem sempre em audiências públicas, nunca em reuniões fechadas, para que todos tenham acesso às informações e possam participar do debate”, afirmou a parlamentar.
Os vereadores, por sua vez, reconheceram a importância da CSN para a economia de Congonhas, mas, de maneira unânime, exigiram mais diálogo e transparência no processo. A defesa foi por um equilíbrio entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental, qualidade de vida da população e proteção ao patrimônio cultural da cidade.
A audiência pública expôs, mais uma vez, o dilema histórico de Congonhas em conciliar a dependência econômica da mineração com a urgência em proteger a saúde da população e o meio ambiente.
