A crise no Hospital Bom Jesus (HBJ), em Congonhas, voltou ao centro do debate político. Denúncias recentes sobre a superlotação, a falta de estrutura e até de cobertores mobilizaram vereadores e a sociedade civil, enquanto a Prefeitura anunciou medidas emergenciais e de longo prazo para o hospital.
Nessa terça-feira (26/08), o prefeito Anderson Cabido confirmou a nomeação de Joel Marques da Silva como novo interventor do HBJ e autorizou o início da elaboração dos projetos de uma nova sede do hospital, que será construída no bairro Goiabeiras, próximo à Rodoviária.

Segundo a administração municipal, o objetivo é “iniciar uma nova era” para o Hospital Bom Jesus, com foco em humanização, empatia, melhor estrutura e atendimento.
Enquanto isso, a atual realidade preocupa. Parlamentares, como o vereador Igor Souza Costa, denunciam que cerca de 10 leitos de UTI estão fora de funcionamento desde abril, que faltam materiais básicos e que trabalhadores atuam sob pressão. O vereador questionou, recentemente, a permanência da direção, apontando conflitos de interesse envolvendo o ex-auditor e atual administrador, acusado de ter autorizado o pagamento de serviços prestados por ele próprio no passado.

“O hospital está lotado de gente aguardando cirurgia. O povo chega e não tem sequer onde se sentar. Quem está lá não tem condição de continuar”, criticou o vereador em pronunciamento na Câmara. Ele cobrou responsabilidade direta do secretário de Saúde, Gilmar Seabra, e do vice-prefeito, Zelinho, que, segundo ele, estariam sendo omissos diante da situação.
Novo interventor
Joel Marques da Silva, anunciado como interventor, acumula mais de 43 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais, atuando nos segmentos de saúde, logística e desenvolvimento humano. Caberá a ele conduzir a reorganização administrativa e operacional do hospital. A decisão marca uma tentativa do governo municipal de responder às pressões políticas e sociais.
O Hospital Bom Jesus é referência regional em atendimentos de média e alta complexidade, incluindo trauma, cirurgias e UTI geral, e teve papel fundamental durante a pandemia de covid-19. Por isso, a gravidade da crise atual não se restringe apenas a Congonhas, mas atinge toda a microrregião de saúde.
Enquanto a nova sede não sai do papel, a população segue enfrentando filas, demora no atendimento e carência de estrutura. O desafio de Joel Marques será, portanto, equilibrar a urgência do presente com a promessa de futuro.
